eco.sapo.ptAntónio Costa - 13 jan. 14:42

Costa e Rio, o debate eleitoral do tudo ou nada

Costa e Rio, o debate eleitoral do tudo ou nada

António Costa e Rui Rio têm o mais importante dos debates e, provavelmente, o mais importante dos momentos desta campanha. E, por razões diferentes, os dois candidatos têm de jogar para ganhar.

António Costa e Rui Rio encontram-se hoje para o mais importante debate televisivo da pré-campanha e, tendo em conta a pandemia, da própria campanha até ao dia 30 de janeiro. E ambos os candidatos vão ter de jogar para ganhar, por razões diferentes e porque partem de posições diferentes.

António Costa fixou como objetivo político a maioria absoluta -- embora contrariando o que o próprio disse sobre a aversão dos portugueses a esta possibilidade -- enquanto Rui Rui, aspirante a primeiro-ministro, tem como primeiro objetivo chegar a São Bento, abrindo a porta a coligações pós-eleitorais. No dia 31 de janeiro, no limite, podem perder os dois, mas um será o primeiro-ministro.

Nos debates televisivos, António Costa e Rui Rio cumpriram genericamente, à esquerda e à direita, respetivamente, o que tinham a fazer para atingir os seus objetivos, mas quando falta o mais importante dos debates, é previsível antecipar que Costa está mais longe da maioria absoluta do que Rio de ganhar as eleições. As sondagens apontam para uma vitória relativa de Costa, mas os dados foram recolhidos apenas com os primeiros debates, e ainda sem o programa eleitoral do PSD. E a média das sondagens permite perceber que as margens de erro, por um lado, e os indecisos, por outro, vão manter tudo em aberto até ao último dia. Mas com os dados que existem hoje, a 17 dias das eleições, Rio tem de deixar mais claro que não é uma cópia de Costa, porque os eleitores escolherão, preferencialmente, o original.

António Costa quer ser primeiro-ministro sob certas condições, Rui Rio quer ser primeiro-ministro quaisquer que sejam as condições, Costa quer repetir o modelo que nos trouxe até aqui, Rio quer reformar. Costa não tem para onde se virar se não tiver maioria absoluta, como ficou claro dos debates com Jerónimo de Sousa e Catarina Martins, portanto, não oferece estabilidade, Rio tem acordos apresentados em direito e ao vivo com a Iniciativa Liberal e o CDS (e o Chega terá de decidir o que fará).

Mais do que noutras eleições, os impostos vão estar no centro da discussão, e isso deve-se ao PSD, que volta a insistir, neste programa eleitoral, numa redução do IRC e do IRS, por esta ordem (o que não é politicamente e economicamente irrelevante). Em contraponto, o PS quer continuar a dar prioridade à redistribuição, já que a redução de impostos que estava prevista no orçamento para este ano é limitada e não tem qualquer prioridade ao crescimento económico, ao investimento e à produtividade.

Tendo em conta os debates televisivos já realizados, e o contexto de pandemia e os seus efeitos na prestação de serviços públicos, os investimentos nas áreas da saúde e da educação, e a reforma dos dois sistemas, serão também debatidas esta noite. Mas há outros temas que têm estado afastados dos debates, como o PRR e os fundos comunitários, a aceleração da inflação e o aumento dos juros e a própria posição de Portugal no contexto da União Europeia, que deveriam estar em cima da mesa. Com 75 minutos de debate, haverá tempo para isso, assim queiram Costa e Rio.

São estes contextos, o político e o económico e social, que estarão esta noite em debate numa eleição em que o PS aposta tudo em António Costa e na sua experiência governativa e o PSD aposta num programa eleitoral alternativo ao que foi feito nos últimos seis anos.

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