visao.sapo.ptluisdelgado - 13 jan. 22:05

Visão | Não há debates decisivos

Visão | Não há debates decisivos

Os portugueses já decidiram, nós é que ainda não sabemos os resultados

O debate entre António Costa e Rui Rio foi excelente. Muito bom. Correu bem aos dois. Ganharam os eleitores. Mas não foi o debate decisivo. Há debates muito importantes, esclarecedores, como este, que ajudarão alguns eleitores a decidir o voto final, mas nunca decisivos. De vida ou morte. De vitória ou derrota. De paraíso ou inferno. Uma hora de debate político não muda o sentido de voto de 70% dos portugueses, que são os que vão votar no PS, e no PSD. O que há, mesmo, é uma margem de 5% de eleitores que ainda pode deixar de votar neste ou naquele partido, mais pequeno, para reforçar ou puxar pelos maiores, e a habitual percentagem que se diz indecisa, mas que na verdade não quer revelar o sentido de voto.

Assim sendo, o debate Costa-Rio foi apenas um duelo de estratégia política, de posicionamento programático, e de responsabilização do eleitorado pela estabilidade futura do país, em tempo de pandemia e crise económica e social. António Costa, de acordo com as mais recentes sondagens, está à beira da maioria absoluta (faltam muito poucos deputados), e Rui Rio ainda não conseguiu entrar na margem de erro. Com este debate, em que aparentemente se jogava tudo, e o seu contrário, não haverá uma inversão de papéis.

Nem poderia haver. Costa, que jamais poderia inquietar os seus 38 a 40% de potenciais eleitores, teve uma hora para inspirar tranquilidade e estabilidade, sempre com novidades que agradam aos eleitores, e Rio, muito bom nestes combates, e com propostas claras e importantes, dificilmente ganhou oxigénio extra para atingir o cume do Evereste. Os portugueses não querem confusões políticas, governos em gestão, e um país sem rumo nem orçamento.

Há, ainda, uma extraordinária qualidade que este debate teve: foi visto por milhões de portugueses, que quiseram perceber o estado de ânimo de quem está, o atual primeiro-ministro, e de quem quer ser, o potencial candidato. Os dois sabiam ao que iam, mas não jogaram nessa hora o seu destino eleitoral. Tudo ainda pode correr mal a um Governo que está em exercício, o que é sempre possível, e Rui Rio mostrou ser uma alternativa séria. Mas os portugueses já decidiram, nós é que ainda não sabemos os resultados.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

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