visao.sapo.ptNUNO AGUIAR - 13 jan. 16:40

Visão | Rio vs Costa: A folha seca e o disco riscado

Visão | Rio vs Costa: A folha seca e o disco riscado

O OLHO VIVO antecipa o frente-a-frente desta noite entre os líderes dos dois maiores partidos portugueses e faz o balanço dos debates dos últimos dias

Será um dos momentos decisivos da campanha eleitoral. Esta noite será o único debate a dois entre António Costa e Rui Rio. O OLHO VIVO analisa o que se pode esperar da discussão e faz o balanço dos debates dos últimos dias. Que temas serão debatidos? E que argumentos serão usados?

“Há aspetos objetivos e aspetos subjetivos que decidem um debate entre dois líderes que se candidatam a primeiro-ministro: os objetivos prendem-se com as propostas concretas e com os programas; os subjetivos têm a ver com a postura e as personalidades. Quem se mostra mais genuíno, mais sincero, mais convincente, mais transparente e mais preparado”, aponta Filipe Luís. “Isto não tem tanta importância quando se trata de líderes de outros partidos, mas, quando o debate é entre dois putativos primeiros-ministros, que falam para um eleitorado menos ideológico e onde estão tantos indecisos, os aspetos subjetivos são fundamentais.”

Para Nuno Aguiar, é bastante claro que a estratégia do PS é personalizar ao máximo a campanha em António Costa e forçar uma comparação direta com Rui Rio, fazendo parecer que a eleição serve para escolher o primeiro-ministro. “António Costa é o segundo líder mais popular em Portugal, a seguir a Marcelo Rebelo de Sousa. O PS tem tentado centrar a campanha na sua figura, mais até do que no partido”, refere. Algo facilitado por este ambiente de apelo ao voto útil feito por PS e PSD. 

Além disso, o socialista deverá esforçar-se por colar Rui Rio à extrema-direita. “António Costa levará três temas para o debate: Chega, Chega e Chega. Vai aproveitar todas as oportunidades para falar do acordo nos Açores e de André Ventura”, acrescenta Nuno Aguiar.

Embora venha a melhorar, Rio começou mal os debates – precisamente com Ventura -, evidenciando falta de preparação e pouco foco. “Rui Rio começou os debates como quem vai para a mesa de café: sorridente, como um homem médio que não é bem um político, que vai concordando com o adversário”, sublinha Mafalda Anjos. “Isso pode gerar alguma empatia junto do público mas em termos de estratégia eleitoral é errático: diz-se ao centro mas acaba por concordar com tudo à sua direita. Aliás, os debates com João Cotrim de Figueiredo e Francisco Rodrigues dos Santos quase pareciam entrevistas de emprego.”  

É difícil identificar nos debates um esforço de Rui Rio para transmitir a agenda do PSD e as suas propostas eleitorais. Apesar de um programa recém-apresentado, não se esforça muito para que ele receba atenção. “É como uma folha seca ao vento. Vai atrás dos temas que os adversários querem falar nos debates”, diz Nuno Aguiar. Uma estratégia que não cria anti-corpos, mas que também não o eleva a figura capaz de mudar o país. 

Os últimos debates confirmaram também o mau momento que André Ventura vive. Além de as sondagens mostrarem o Chega em queda, os seus desempenhos nestes encontros televisivos têm desiludido. O mais recente exemplo foi o frente-a-frente com o líder do CDS. 

“Francisco Rodrigues dos Santos foi para este debate com se tivesse muita coisa entalada na garganta para dizer a André Ventura – e disse. E alguns dos seus ataques a Ventura, que seriam naturais e previsíveis vindas de um líder da esquerda, têm muito mais impacto, entre os eleitores, por virem de um líder insuspeito de simpatias pelas causas da esquerda, como é o conservador presidente do CDS”, explica Filipe Luís. 

Mafalda Anjos viu no momento de ontem “tudo ou nada” do líder centrista. “Francisco Rodrigues dos Santos vem como o ‘underdog’, depois de estar a descer nas sondagens e dos problemas internos, e no confronto com Ventura tinha de dar a sua derradeira prova de vida. Escolheu descer para a lama com o adversário e atacá-lo no mesmo estilo do confronto e do ataque. Atordoou completamente André Ventura”, afirma. 

Este foi um exemplo de um debate especialmente agressivo e pouco informativo acerca das propostas de cada um dos partidos. Outros têm tido mais elevação, com destaque para aqueles em que tem participado, à esquerda, Rui Tavares, mas também João Cotrim Figueiredo, à direita.

“Nesta maratona de frente-a-frentes, que tem disparado audiências e cativado a atenção dos portugueses, já tivemos de tudo: confrontos ideológicos sérios, reflexões mais ou menos interessantes, conversas sonolentas, muitos soundbytes e até rituais de acasalamento e lutas na lama”, resume Mafalda Anjos.

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