ionline.sapo.ptionline.sapo.pt - 26 nov. 10:31

O 25 de novembro de 1975

O 25 de novembro de 1975

A liberdade não tem lado, não tem esquerda nem direita - a liberdade é de todos aqueles que defendem a Democracia.

Assinalou-se ontem os 46 anos do Golpe Militar do 25 de novembro que pôs termo ao Período Revolucionário em Curso (PREC) e à tentativa de se instaurar em Portugal uma ditadura comunista.

A nossa Revolução de 1974 começou por ser um Golpe de Estado militar; afirmou-se como uma Revolução Democrática em 74; mas tentou transformar-se, em 1975, numa Revolução económico-social, que visava colocar o País “rumo ao socialismo”. Foi um período difícil, de quase ano e meio. Mas no fim, venceu a Democracia.

Para se perceber o que se passou no 25 de novembro temos que recuar aos primeiros meses da Revolução do 25 de abril e compreender a posição do PCP em relação à Revolução.

Na conceção comunista haviam dois caminhos possíveis, um primeiro que nos levaria a um cenário idêntico àquilo que sucedeu em 1946-1948 na Alemanha de Leste, na Polónia, na Checoslováquia e na Hungria onde os comunistas foram um partido dominante, o que levou a que todos os outros partidos tivessem de fazer o que os comunistas ditavam, e uma outra solução, que passava pela conquista do poder total, tornando-se o Partido Comunista num partido único, como aconteceu na URSS em 1917-1918.

O caminho escolhido pelo Partido Comunista foi o de instaurar um regime semelhante ao da URSS, e para isso usou a tática que Lenine usara na Revolução Russa. Como diria Lenine, perante uma ditadura autocrática conservadora, não há uma Revolução a fazer, mas duas: primeiro a Revolução liberal burguesa, que permite passar da ditadura para o constitucionalismo parlamentar e depois a Revolução socialista total, que permitirá passar da democracia burguesa para a ditadura do proletariado, ou seja, a ditadura do Partido Comunista.

Foi esta a opção do Partido Comunista Português, na primeira fase da Revolução portuguesa, o PCP aceitou integrar os Governos Provisórios com o PS e o PPD, de forma a conseguir concretizar a primeira parte do plano – aquilo que Lenine chamou de Revolução liberal, para posteriormente acelerar a Revolução, passando a ter um papel liderante nas ruas, promovendo greves e galopando a grande velocidade em direção à queda do Governo provisório de cariz liberal e à instauração de um Regime Comunista do tipo soviético.

Foi precisamente contra este cenário que o grupo dos nove planeou o Golpe Militar do 25 de novembro. Os meses anteriores tinham sido de grande agitação político-militar, o PCP e a Frente de Unidade Revolucionária (FUR) liderados por Álvaro Cunhal e Otelo Saraiva de Carvalho, respetivamente, depois de várias tentativas goradas avançam para aquilo que seria a Revolução proletária, mas à última da hora, aconteceu algo que até hoje ainda não foi muito bem explicado e que talvez nunca seja, que os fez recuar. O PCP deu instruções às suas “tropas”, trabalhadores e militares, para não irem para as ruas e Otelo Saraiva de Carvalho não comandou as suas – o que evitou uma Guerra Civil em Portugal - e sem grande oposição os Comandos da Amadora neutralizaram as tropas revoltosas que não tinham propriamente comando militar, estavam como se costuma dizer, por sua conta, porque ambos os líderes políticos envolvidos recuaram - foi a vitória da Democracia que tanto prezamos.

A nossa Democracia deve muito ao 25 de abril e a todos aqueles que nele participaram, arriscando a sua vida em prol de um bem maior – a liberdade. Mas também, devemos e muito a todos aqueles – civis e militares – que se opuseram à tentativa de instauração de um Regime Comunista, que como todos sabemos, suprime a liberdade.

Devemos por isso, assinalar e explicar aos mais jovens, que o Golpe do 25 de novembro marca a consolidação da Democracia pluralista em Portugal, o segundo dia da liberdade, não tão importante como o primeiro, mas de grande relevância histórica para Portugal.

Só poderão querer “apagar” da História o 25 de novembro, aqueles que não acreditam na verdadeira Democracia, inspirada na vontade da maioria e assente no princípio da liberdade – e a liberdade não tem lado, não tem esquerda nem direita - a liberdade é de todos aqueles que defendem a Democracia porque como diria Churchill “a Democracia é o pior dos regimes, à exceção de todos os outros”.

Sónia Leal Martins

Politóloga

NewsItem [
pubDate=2021-11-26 10:31:00.0
, url=https://ionline.sapo.pt/artigo/754162/o-25-de-novembro-de-1975?seccao=Opinião_i
, host=ionline.sapo.pt
, wordCount=687
, contentCount=1
, socialActionCount=0
, slug=2021_11_26_963943726_o-25-de-novembro-de-1975
, topics=[opinião]
, sections=[opiniao]
, score=0.000000]