eco.sapo.pteco.sapo.pt - 26 nov. 09:35

Estas tecnologias estão a revolucionar o mundo do trabalho

Estas tecnologias estão a revolucionar o mundo do trabalho

São made in Portugal, estão na senda da inovação e provam que o potencial da tecnologia não conhece barreiras, nem no mundo do trabalho.

Uma espécie de Tinder, mas que faz o match entre quem produz inovação e quem a procura; um nutricionista à distância de um clique para melhorar a saúde das suas pessoas; ou ferramentas de inteligência artificial para requalificar postos de trabalho precários. Estas são apenas algumas das tecnologias made in Portugal que dão resposta a problemas e necessidades do mercado. Estão na senda da inovação e provam que o potencial da tecnologia é enorme, capaz de eliminar barreiras, relacionar pessoas e escalar negócios.

“Acredito que o futuro é muito baseado nestas ferramentas, e que eventualmente irá ser a norma. Esta transição depende bastante da promoção da literacia digital e de uma mudança de mentalidades”, afirma Gonçalo Consiglieri, cofundador da Visor.ai, uma startup que utiliza a inteligência artificial (IA) para automatizar interações repetitivas, contribuindo para a valorização dos trabalhadores de contact centers.

A Pessoas foi à procura de exemplos de como a tecnologia está a ajudar as organizações na relação com os seus colaboradores e no desempenho dos negócios.

IA nos contact centers

A Visor.ai surgiu da vontade de três amigos e é um daqueles casos de como uma ideia fracassada foi a rampa de lançamento para um projeto de sucesso. Gonçalo Consiglieri, Gianluca Pereya e Bruno Matias solucionarem aquele que consideravam ser um problema no setor dos contact centers. “Juntámo-nos para revolucionar o setor dos contact centers, que, até ao momento, estava estagnado. Depois de uma primeira experiência juntos numa startup anterior, que acabou por não ter sucesso, decidimos unir a nossa experiência para arranjar uma solução que fosse benéfica para grandes empresas”, conta Gonçalo Consiglieri.

Juntámo-nos para revolucionar o setor dos contact centers, que, até ao momento, estava estagnado.

Gonçalo Consiglieri

Cofundador da Visor.ai

Com recurso à inteligência artificial, a Visor.ai automatiza interações simples e repetitivas, libertando os assistentes dos contact centers para que desempenhem outras funções. “Consoante a formação e conhecimento que têm sobre a organização e o negócio, são pessoas que podem desempenhar uma função essencial em tarefas mais complexas”, apesar de terem, por vezes, pouca projeção interna, o que os condiciona na progressão de carreira, explica.

Marketplace de talento

Foi também por considerar ser uma solução benéfica para talento e empregadores que Mário Alves avançou com a Taikai, um marketplace de talento para ligar criadores e empresas através do crowdsourcing de soluções para os desafios das organizações através de hackathons (maratonas de programação). O objetivo é relacionar um determinado desafio de uma empresa a uma inovação que o possa resolver, permitindo que qualquer pessoa, de qualquer parte do mundo, possa solucionar esse problema real. A plataforma da Taikai é o facilitador desta relação.

“Como efeito colateral deste processo, resultaram várias contratações para diversas empresas. Isso fez-nos perceber que a nossa plataforma não tem apenas a capacidade de resolver desafios reais de empresas, mas também de validar talento nesse processo, não apenas na avaliação de hard skills, mas também de soft skills e fit cultural das empresas”, explica o CEO e cofundador da Taikai. Levantou em setembro dois milhões de euros e arrancou com um programa de aceleração, onde startups selecionadas irão utilizar a plataforma da Taikai para efeitos de inovação e de recrutamento.

Eliminar barreiras linguísticas

Com um propósito diferente, mas também de eliminar barreiras — neste caso linguísticas —, a Unbabel ajuda as empresas a escalarem os seus negócios para os quatro cantos do mundo. Fá-lo através de uma solução que alia a rapidez da IA a uma comunidade de tradutores no mundo inteiro. O resultado são traduções rápidas, eficientes e de alta qualidade que ficam mais inteligentes com o tempo.

“A Unbabel permite que as empresas comuniquem em cerca de 95 pares de línguas diferentes, mantendo o tom e a coerência, sem precisarem de contratar equipas específicas para cada departamento. E que as empresas aumentem a produtividade do seu serviço de apoio ao cliente, reduzam custos, aumentem a confiança e a satisfação dos seus clientes. Isto revoluciona a comunicação multilíngue a nível global e, independentemente da sua dimensão, escalem para os mais diversos pontos do globo, o que até agora só era possível com um grande investimento em equipas de localização”, refere Leah Buccellato, VP of people da Unbabel.

Simplificar benefícios

Já no setor dos benefícios, área em franco crescimento com a pandemia na atuação dos departamentos de RH, a Coverflex quer simplificar a compensação, tornando-a mais personalizada. A startup oferece uma solução de compensação flexível que permite às empresas reduzir custos e maximizar o potencial de rendimentos dos seus colaboradores. “Sentimos que a forma como se trabalha está a mudar, mas a compensação — salário, bónus, equidade e benefícios — não evolui há décadas. A atual abordagem de one-size-fits-all na gestão de benefícios é rígida e ultrapassada porque não consegue satisfazer as necessidades do mercado de trabalho moderno”, diz Miguel Santo Amaro, cofundador e CEO da Coverflex.

A plataforma all-in-one da Coverflex permite a todas as empresas, independentemente da sua dimensão, conceber, operacionalizar e personalizar as suas ofertas de compensação para além do salário, com seguro de saúde, subsídio de refeição, benefícios sociais e descontos.

Miguel Santo Amaro

Cofundador e CEO da Coverflex

“A plataforma all-in-one da Coverflex permite a todas as empresas, independentemente da sua dimensão, conceber, operacionalizar e personalizar as suas ofertas de compensação para além do salário, com seguro de saúde, subsídio de refeição, benefícios sociais e descontos”, detalha. A solução, explica, responde às necessidades das empresas, que passam a poder agregar a gestão da compensação para além do salário, e também dos colaboradores, desbloqueando todo o seu potencial de rendimentos, personalizando o seu pacote de compensação, permitindo escolher onde e como querem gastar o seu orçamento. Em setembro fecharam uma parceria estratégica com a MDS, no âmbito da qual a Coverflex comprou 100% da FlexBen, empresa do grupo MDS, que, em paralelo, assumiu uma posição no capital da startup, tornando-se o seu parceiro exclusivo nas soluções de seguros. Com esta operação, a Coverflex irá crescer a base de clientes para 20.000 colaboradores e atingir 25 milhões de euros de GMV (valor de compensação flexível atribuído via Coverflex).

Nutricionista numa app

Preocupada com a saúde dos colaboradores, a Nutrium recorre a uma plataforma tecnológica de acompanhamento nutricional que aproxima nutricionistas e pacientes, com o objetivo de fomentar hábitos alimentares mais saudáveis. E já abriu essa oferta às empresas que pretendam apoiar os colaboradores. “A tendência dos portugueses continua a ser a de olhar para a saúde de forma reativa em vez de preventiva, tanto em contexto pessoal como empresarial. Olhando para as estatísticas do Ministério da Saúde, conclui-se que 5,9 milhões de portugueses têm excesso de peso, 50% da população portuguesa não ingere a quantidade de hortícolas ou de frutas recomendada pela OMS e 40% tem diabetes ou pré-diabetes. Segundo o Ministério da Saúde, as doenças crónicas têm impacto significativo no aumento do absentismo laboral e nos encargos com a saúde”, refere André Santos, CEO da Nutrium.

O programa de acompanhamento nutricional para empresas da startup pretende criar mais awareness no tecido empresarial português para a importância da nutrição como um veículo preventivo para uma vida saudável. “Queremos desmistificar que o acompanhamento nutricional seja útil apenas a quem quer perder peso. Queremos que toda a gente possa ter um profissional (nutricionista) no seu bolso a qualquer momento”, acrescenta, salientando que uma equipa saudável é uma equipa mais produtiva e menos ausente.

Apoiar decisões clínicas

Também no setor da saúde, a startup portuguesa UpHill, criada por três médicos, desenvolve conteúdos e software médico para apoiar as decisões clínicas dos profissionais de saúde e aumentar a eficácia dos cuidados. “Para tal, desenvolvemos clinical pathways (percursos clínicos, em português) que funcionam como um GPS dos cuidados de saúde. Com esta ferramenta interativa, os profissionais de saúde recebem, em tempo real, orientações baseadas na melhor evidência, sobre o caminho que deve ser seguido por cada paciente”, explica Eduardo Freire Rodrigues, CEO e cofundador da UpHill.

Até ao momento, a startup já produziu perto de 100 algoritmos para as mais variadas doenças, desde diabetes, insuficiência cardíaca, depressão ou Covid-19, aos quais os profissionais podem aceder via computador ou smartphone. O grande objetivo é aproximar os cuidados de saúde prestados das melhores práticas, recomendadas pela evidência científica mais sólida. “Apesar de parecer algo aparentemente simples, apercebemo-nos, enquanto médicos, que esta transposição da evidência para a prática clínica é um processo moroso e que, consequentemente, existe uma certa liberalização da prestação de cuidados. Esta variabilidade nos processos clínicos afeta os resultados, quer no que diz respeito ao progresso dos doentes, como à eficácia e gestão de recursos hospitalares”, acrescenta.

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