jornaleconomico.sapo.ptVítor Norinha - 26 nov. 00:09

Moeda forte

Moeda forte

As eleições deste sábado no PSD vão servir para escolher um candidato a primeiro-ministro e não um candidato a vice-primeiro-ministro.

Há uns anos ficou famosa a expressão de Aníbal Cavaco Silva de a boa moeda expulsa a má moeda. Na altura, Cavaco visava Pedro Santana Lopes, mas nunca como hoje a expressão teve tanto significado se aplicada ao PSD.

1. A vitória de Carlos Moedas em Lisboa – lá está a boa moeda – foi uma lufada de ar fresco na política portuguesa, conseguida contra tudo e contra todos, contrariando sondagens, comentadores e todas as análises realizadas até ao resultado das eleições.

Moedas estava condenado a perder logo à partida e nunca seria capaz de derrotar Fernando Medina, comentador televisivo em “prime time” e putativo sucessor de António Costa na liderança do PS. Hoje, Moedas é presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina perdeu a corrida para a sucessão do PS e, pior que tudo, perdeu a autarquia da capital.

Se Carlos Moedas decidisse apoiar um dos candidatos à liderança do PSD, possivelmente o escolhido seria o vencedor nas eleições deste sábado. Inteligente, o autarca decidiu não apoiar nenhum dos dois, porque não é ingrato – para todos os efeitos, Rui Rio escolheu-o para ser o candidato a Lisboa, mas também não é esquecido, esteve com Rangel em Bruxelas, um na qualidade de comissário europeu, outro como deputado.

Acresce que foi noticiado esta semana um almoço entre Moedas e Rangel, do qual apenas se sabe que Moedas resolveu estar presente dada a sua amizade antiga com Paulo Rangel. Será só um sinal? A verdade é que as eleições deste sábado vão servir para escolher um candidato a primeiro-ministro e não um candidato a vice-primeiro-ministro.

A colagem de Rio a um sucesso pós-eleitoral do PS poderá ter efeitos devastadores no PSD, e ao contrário do que pensam os que dizem que Rangel tem consigo os “passistas”, alegações essas que vêm de dentro e de fora do PSD (veja-se as declarações de Augusto Santos Silva) e que ainda poderão ser o empurrão de que o eurodeputado precisa para chegar a líder.

De qualquer das formas, o normal é um líder em funções ganhar, e isso aconteceu sempre à exceção da derrota de Marques Mendes contra Menezes.

Mas nunca como hoje, com uma pandemia ainda viva, as Finanças Públicas num estado tão calamitoso (a dívida total do Estado, das famílias e das empresas não financeiras subiu em setembro para 764.500 milhões de euros, perto de um novo recorde); com a bazuca da União Europeia a ter de ser aplicada rápida e eficazmente; com o Serviço Nacional de Saúde num caos; a corrupção nas Forças Armadas, que deixou a instituição particularmente frágil; e a insegurança crescente nas ruas das principais cidades – nunca como hoje estes dados poderão ser baralhados e a “boa moeda” de Carlos em Lisboa servir para uma alternativa no país onde PSD e IL, CDS e, quiçá, o Chega, possam ser superiores à esquerda e extrema-esquerda.

2. O turismo é um dos motores da economia nacional e o tema das lideranças das associações locais volta a estar em destaque.

Abordaremos o tema numa próxima oportunidade, sendo que um dirigente associativo, seja de que cor for, tem de ser crítico relativamente ao poder central e exigir mais para a sua região. A falta de exigência leva à estagnação. O Algarve é um desses maus exemplos, em que falta uma voz reconhecida com sentido crítico e inteligência.

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