rr.sapo.ptOpinião de Francisco Sarsfield Cabral - 26 nov. 06:30

Travar a nova vaga de Covid-19

Travar a nova vaga de Covid-19

Com três semanas de atraso, aí estão as medidas para travar a atual vaga de infeções. A notável taxa de vacinação protege-nos. Noutros países europeus os negacionistas destacam-se pela negativa.

Depois de hesitações e de muita especulação, o Governo anunciou finalmente medidas para tentar travar a presente vaga de novas infeções por Covid-19. Nada que ponha em causa a recuperação da economia.

Muitas pessoas estavam nervosas, receando restrições mais drásticas. Falou-se mesmo em histeria descabida, pois os números da pandemia, embora sinalizando uma clara subida das infeções, estavam (e estão) muito abaixo daquilo que se registava há um ano.

Para a recente perturbação de muitos portugueses face à Covid-19 contribuiu a confusão em que, nas últimas semanas, caiu o discurso das autoridades de saúde sobre a matéria. Já sabíamos que a Direção Geral da Saúde planeia mal e comunica pior.

Mas agora o próprio António Costa demorou a perceber que as hesitações e as demoras em definir um novo rumo para a vacinação são suscetíveis de lhe custar votos em 30 de janeiro próximo.

Para o clima de nervosismo por causa dos avanços da Covid-19 contou, também, a multiplicação de crises nas urgências e noutras unidades hospitalares, suscitando dúvidas sobre a capacidade do Serviço Nacional de Saúde para se manter operacional.

Facto é que se perderam três semanas. Entretanto foram encerrados centros de vacinação, que tiveram depois de reabrir.

Foto: Manuel de Almeida/Lusa Foto: Manuel de Almeida/Lusa

Espera-se agora vacinar os mais velhos com a terceira dose (reforço) até 19 de dezembro. Ora, como José Miguel Júdice apontou, quem for vacinado nesse último dia só fica protegido a 2 de janeiro, depois da quadra festiva do Natal e Ano Novo.

Portugal pode e deve orgulhar-se de ter uma altíssima taxa de vacinação, que nos protege dos piores malefícios da Covid-19.

Os negacionistas, que rejeitam as vacinas, são entre nós uma pequena minoria, felizmente. Mas minoria agressiva, que insultou aos berros o vice-almirante Gouveia e Melo e, também, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues.

Os negacionistas são bem mais numerosos em países como a França ou os Países Baixos, democracias consolidadas.

E é chocante ver a brutalidade de algumas manifestações realizadas contra medidas para travar o avanço da pandemia. Manifestações que envolveram incendiar carros, partir montras de lojas e apedrejar a polícia.

A democracia portuguesa é imperfeita, mas tem mostrado mais maturidade no enfrentar da pandemia do que algumas democracias europeias que consideramos como referências.

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