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Exame Informática | “A tecnologia pode ajudar a atrair os jovens para a agricultura”

Exame Informática | “A tecnologia pode ajudar a atrair os jovens para a agricultura”

Num debate promovido pela Exame Informática, três especialistas em inovação na agricultura falaram sobre os desafios que o setor enfrenta – como as alterações climáticas – e apontaram as soluções para tornar este setor mais rentável – da utilização de drones à criação de projetos de dados abertos

O setor agrícola já começa a enfrentar aquele que promete ser um dos seus maiores desafios de sempre – as alterações climáticas e o impacto que isso terá nos métodos de produção, na qualidade dos produtos e na rentabilidade dos negócios. “As adaptações a todas as diversidades climatéricas, características de solos, formas de produção, é um desafio enorme. É preciso preparar as pessoas para esse desafio”, começou por dizer Ruth Pereira, professora da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), e diretora do centro de investigação GreenUporto, no evento Os Melhores e As Maiores do Portugal Tecnológico, promovido pela Exame Informática.

A investigadora não tem dúvidas em dizer que “a agricultura vai ser das atividades económicas mais impactadas” nos próximos anos. Já António Graça, responsável de investigação e desenvolvimento na Sogrape Vinhos, diz que a pressão está a aumentar para quem trabalha na área: “A pressão causada pela alteração climática à produção, escassez de água, maior erosão do solo, por um lado, e por outro a pressão colocada pela mudança de preferência do consumidor que deixa de querer os vinhos daquela origem”.

Mas nem tudo é uma desgraça anunciada. Os avanços tecnológicos que têm sido feitos em diferentes ferramentas de monitorização fazem a diferença para os produtores. António Graça deu um exemplo da própria Sogrape: a empresa investiu na instalação de estações meteorológicas nos seus terrenos que lhes permite prever com uma “fiabilidade acima dos 80%” se vai ou não chover, o que por seu lado traduziu-se numa poupança de 30 mil euros anuais para a empresa. “Pagamos a rede meteorológica em dois anos”.

A Beyond Vision, startup que utiliza drones para monitorizar explorações agrícolas, também deu um exemplo concreto de como a tecnologia faz a diferença. Num cliente, havia perdas de água anuais no valor de 400 mil euros – todos os dias uma equipa de dez pessoas procurava problemas nos sistemas de rega da herdade. “Conseguimos detetar 90% dos problemas autonomamente”, explicou Dário Pedro.

Com drones equipados com diferentes sensores e câmaras é possível fazer um ‘raio-x’ às produções agrícolas e identificar problemas muito mais rapidamente. “Na vinha usamos câmaras multiespectrais para detetar doenças, câmaras térmicas para detetar problemas de rega, zonas com problemas de crescimento. Com os LIDAR podemos fazer análise volumétrica de todo o terreno e prever a produção das áreas inspecionadas”, resume o diretor executivo da Beyond Vision.

São exemplos como estes que segundo António Graça colocam Portugal na “frente do pelotão” da adoção tecnológica na agricultura – não líderes, mas também não junto ao carro vassoura. Apesar do cenário positivo traçado pelos especialistas, há margem para evoluir.

“Ainda temos uma população de agricultores relativamente envelhecida. O próprio Ministério [da Agricultura] está a implementar medidas no sentido de atrair os jovens para a agricultura, continua sem ser um setor atrativo. A própria tecnologia pode ajudar a atrair os jovens para a agricultura. Temos territórios de baixa densidade onde o acesso a estas tecnologias não é tão fácil, depois no final, fazendo as contas, compensa, mas ainda há o receio de avançar para o passo de fazer as contas. Temos de rejevunescer a nossa população de agricultores, atrair para territórios de baixa densidade. Temos de criar sistema de inovação no qual os pequenos produtos sejam envolvidos”, defendeu Ruth Pereira.

A investigadora pede também que comece a haver uma maior partilha de dados entre os produtores, pois um maior volume de informação permite a todos perceberem a existência de padrões. “Se voltarmos a práticas mais sustentáveis, elas funcionam, mas as pessoas precisam de dados para isso, essa disponibilização de grandes quantidades de dados”, concluiu.

Já António Graça aponta noutro sentido: “Há duas questões que vão fazer muita diferença nos próximos cinco, seis anos: incorporação de informação climática, vai de pensamento determinístico para pensamento probabilístico, é algo que o raciocínio com o clima vai trazer; a outra é a robotização das operações agrícolas”.

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