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PSD. Diretas são amanhã: é o 'vai ou racha' para Rangel e Rio

PSD. Diretas são amanhã: é o 'vai ou racha' para Rangel e Rio

Sábado passa o último episódio da novela política mais relevante dos últimos tempos. Rio ou Rangel, um deles torna-se herói.

Amanhã realizar-se-ão as diretas do PSD: Rangel desafia Rio para conquistar o trono da São Caetano à Lapa. Não há propriamente um candidato favorito, e ambos – e as suas estruturas – estão honestamente confiantes. Apesar de este género de eleições tender a favorecer o líder em funções – ou seja, Rio –, poder-se-á dizer que o seu desafiador – ou seja, Rangel –, pôs as hostes rioístas a suar.

Fê-lo, sobretudo, por dois motivos: Rangel conquistou maioria no Conselho Nacional – algo que se verificou nos Conselhos de outubro e novembro – e tem, do seu lado, a maior parte das máquinas distritais. Por outro lado, Rui Rio aposta no voto livre e universal dos sociais-democratas: tanto que queria abrir o universo eleitoral àqueles sem as quotas regularizadas – uma proposta chumbada pelo Conselho Nacional dominado pelo seu oponente. Se a proposta de Rio fosse avante, o número de eleitores seria de cerca de 85000. Sendo chumbada e podendo apenas votar os militantes com quotas regularizadas, são cerca de 46000 os que poderão exercer o seu direito de voto no próximo sábado. As distritais com mais eleitores são a do Porto – cidade dos dois opositores –, a de Braga e a da Área Metropolitana de Lisboa.

“RANGEL NÃO ESTÁ PREPARADO PARA SER PRIMEIRO-MINSITRO” Quanto à campanha interna, só houve do lado rangelista. Isto porque Rio, como que buscando um elã de idoneidade, disse que o seu adversário não era Paulo Rangel mas sim António Costa, pelo que só faria campanha contra o último. Rejeitou debates – levando ao recente momento de vergonha alheia na RTP em que os dois respondiam avulsamente às perguntas do jornalista – e a ‘troca de galhardetes’ com Rangel: porque tal enfraquecê-los-ia perante António Costa. Apesar de o rejeitar na teoria, fê-lo na prática. Em entrevista a Vítor Gonçalves na RTP, minutos depois de dizer que não queria apontar críticas a Rangel, soltou a crítica mais marcante desta corrida: “Rangel não está preparado para ser primeiro-ministro. Não pode ser ministro quem não quer e também quem quer muito. Sempre que alguém se propôs a eleições, a dois, três meses, perdeu”. Segundo a teoria de Rio, Rangel, em outubro – quando anunciou avançar –, jamais esperaria eleições legislativas em janeiro. Por essa razão – ou seja, por não contar com eleições em janeiro – Rangel não está “preparado para ser primeiro-ministro”. Apesar de alguns dias em silêncio, Rangel acabara por reagir à investida de Rio, embora titubeante: “Não pode ser uma pessoa a decretar quem está ou não está preparado. São os militantes do PSD e os cidadãos portugueses que vão fazer essa escolha”.

JACKPOT PARA RANGEL Já na contabilização de apoios Rangel parece sair-se melhor. Entre eles, na quarta-feira, um novo – de peso –, mas envergonhado: Carlos Moedas. Rangel e o novo presidente da Câmara de Lisboa foram almoçar horas depois do segundo ter dito à Radio Observador que não apoiava nenhum candidato mas que era “amigo de Rangel há muitos anos”. Já Rangel não fez por menos: questionado sobre o almoço, afirmou comungar em muitos assuntos com Moedas, pelo que o almoço foi entre dois amigos “dos Novos Tempos [campanha autárquica de Moedas] ou dos tempos novos”. As interpretações não parecem difíceis de retirar. Nota ainda para três silêncios importantes: Francisco Pinto Balsemão, Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho. Os três antigos primeiros-ministros sociais-democratas – um deles também ex-Presidente da República – não anunciaram em quem votarão.

A ARITMÉTICA DAS COLIGAÇÕES Por fim, coligações. Comecemos pelo comum a ambos: rejeitam o apoio da extrema-esquerda e aceitam-no do CDS ou do IL. Quanto aos últimos partidos, Rangel rejeita qualquer coligação pré-eleitoral com eles, já Rio poderá admiti-la (se a CPN assim o entender). Quanto ao PS: ambos rejeitam bloco central, contudo, Rio já admitiu poder dar viabilidade a um Governo socialista (notando que seria uma incoerência não o fazer porque lhes apontou muitas vezes o dedo por não procurarem amizade com o PSD); já da parte de Rangel, sobre este assunto, só se ouve silêncio. Por fim, extrema-direita, ou seja, Chega: Rangel rejeita-os cabalmente para qualquer solução – “linha vermelha inultrapassável” –, enquanto Rio rejeita-os para integrar o seu Governo – “é incompatível” – mas não esclarece se poderá beneficiar do seu apoio parlamentar, como acontece nos Açores.

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