observador.ptobservador.pt - 26 nov. 10:31

Dois jornalistas noruegueses foram detidos no Qatar por alegada invasão de propriedade privada

Dois jornalistas noruegueses foram detidos no Qatar por alegada invasão de propriedade privada

As autoridades do Qatar detiveram dois jornalistas noruegueses por alegada invasão de propriedade privada, mas a NRK garante que essa não foi a verdadeira razão da detenção.

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Dois jornalistas foram detidos no Qatar por alegada invasão de propriedade privada, no domingo. A estação de televisão e rádio estatal norueguesa NRK, para quem os jornalistas trabalham, disse à CNN que os homens foram detidos porque estavam a cobrir as condições laborais dos trabalhadores do país.

Halvor Ekeland e Lokman Ghorbani foram libertados pelas autoridades na terça-feira, e voaram de volta para a Noruega na manhã de quarta-feira.

O Gabinete de Comunicação do Governo do Qatar disse, em comunicado no site oficial, que os jornalistas foram detidos por “invasão de propriedade privada e gravação de vídeo sem licença”:

“As autoridades detiveram a equipa devido a uma queixa do dono da propriedade privada onde a equipa se encontrava, ilegalmente. A equipa foi libertada sem acusações no dia 23 de novembro depois da realização dos procedimentos legais necessários. A embaixada norueguesa e a administração da NRK foram informadas de todos os avanços na situação”, diz o comunicado.

A instituição garantiu, ainda, que o Governo concedeu, aos jornalistas, a liberdade de filmar “o que quisessem” no país, através de uma licença, e que até mostrou disponibilidade para agendar reuniões entre os jornalistas e “altos funcionários do Governo”.

O diretor da NRK, Thor Gjermund Eriksen, desmente a versão das autoridades qataris, e defendeu os funcionários da estação:

“Os empregados da NRK comportaram-se de acordo com os princípios e o código de Ética de jornalismo. […] Mesmo que as autoridades qataris acreditem que os jornalistas tenham quebrado alguma regra, o tratamento a que os submeteram é inaceitável. A detenção dos jornalistas e confiscação de todo o seu equipamento foi completamente desproporcionado. Ameaça o jornalismo livre e independente e cria um sentimento de medo em todos os jornalistas que visitem o Qatar”.

Em reação aos acontecimentos, a FIFA disse, em comunicado enviado à CNN, que “defende os princípios da liberdade de imprensa”, e que “esteve em contacto com as autoridades locais e a NRK” para acompanhar a situação.

O presidente da Associação Norueguesa de Futebol (NFF), Terje Svendsen, afirmou, em carta publicada no site da associação, que é “absolutamente inaceitável que jornalistas sejam detidos pelo exercício das suas funções”, e exigiu à FIFA a garantia da liberdade de imprensa durante o campeonato do mundo. O responsável máximo do futebol norueguês pediu ainda à Ministra dos Negócios Estrangeiros, Anniken Huitfeldt, que tomasse uma posição clara relativamente à “importância de os jornalistas poderem realizar o seu trabalho sem a interferência das autoridades”.

As associações nacionais de futebol da Dinamarca, Suécia, Islândia, Finlândia e Ilhas Faroé assinaram uma carta conjunta em solidariedade com a associação norueguesa, onde acusam o governo do Qatar de fazer “promessas em vão” relativamente à liberdade de imprensa, uma vez que “os jornalistas continuam a ser detidos no país”.

O Qatar tem sido acusado de não garantir a segurança dos trabalhadores de construção civil, e os relatos de pessoas a morrer, em obras, acumulam-se. O The Guardian noticiou, em fevereiro, que mais de 6.500 trabalhadores estrangeiros, oriundos de outros países asiáticos (Índia, Nepal, Bangladesh e Sri Lanka) morreram no Qatar desde 2010 — quando a decisão da FIFA de atribuir a organização do Mundial2022 ao país foi anunciada.

Esta nomeação levou o Qatar a iniciar um projeto de obras públicas de enorme dimensão: estão a ser construídos sete estádios, um novo aeroporto, estradas, transportes públicos, hotéis e até mesmo uma nova cidade, Lusail (na imagem). Segundo o Independent, o estádio de Lusail, que vai ter 80 mil lugares para adeptos, vai ser palco da final do mundial.

O Mundial2022 vai começar no dia 21 de novembro do próximo ano – vai ser o primeiro Mundial a ser disputado durante o inverno – e acaba no dia 18 de dezembro.

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