www.jn.ptjn.pt - 25 nov. 22:03

Editorial: O lugar do aluno é na escola

Editorial: O lugar do aluno é na escola

As novas estratégias para controlar a pandemia em Portugal terão inevitavelmente consequências em alguns setores económicos do país e produzirão, sobretudo, um impacto na educação de crianças e jovens. Um impacto que, desta vez, se afigura particularmente simbólico e incoerente: ainda que por poucos dias, as escolas param quando comércio, empresas e espaços de lazer se mantêm a funcionar.

A experiência já nos mostrou que os efeitos da paralisação das atividades letivas foram pesados e que a recuperação das aprendizagens será demorada. O Governo volta, no entanto, a optar por interromper as aulas de vários graus de ensino, creches e ATL entre 2 e 10 de janeiro. Os dias em falta serão compensados nas férias de Carnaval e na Páscoa, menos dois e três dias, respetivamente.

O argumento para a aplicação desta medida na chamada "semana de contenção", em que o teletrabalho é obrigatório e as discotecas voltam a fechar portas, é de difícil sustentação. Por um lado, a alteração de um calendário escolar obriga a reajustes dos elencos programáticos e da organização das aulas. Por outro, não garante que os estudantes permaneçam no interior das suas habitações quando toda a atividade económica continua a funcionar sem restrições de maior. Acresce a preocupação legítima dos encarregados de educação para a disponibilidade em acompanhar os filhos nesse período de interrupção.

Desta opção, extrai-se ainda outra conclusão. O Governo continua sem acautelar um sistema de ensino misto (presencial e online). Sendo objetivo que, para uma aprendizagem mais inclusiva e dinâmica, o melhor lugar do aluno é no interior da escola, a realidade imprevisível que a pandemia nos trouxe não é compatível com a aparente ausência de outras soluções que possam ser rapidamente implementadas. O ensino remoto e todas as suas plataformas têm de estar disponíveis como uma ferramenta alternativa. Ficou claro que não estão.

As medidas agora anunciadas para conter o avanço da covid-19 são mais musculadas do que a maior parte dos portugueses estava a contar. Do dia da Libertação, assinalado a 1 de outubro, passamos ao dia de salvar de novo o Natal. Fica, no entanto, a dúvida sobre a coerência de algumas das restrições. E se, com o levantamento faseado de algumas restrições e o rigor na aplicação de outras que ainda estão em vigor, teríamos tido necessidade de chegar até aqui.

A Direção

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