visao.sapo.ptapfigueiredo - 24 nov. 18:00

Visão | PSD direto às diretas

Visão | PSD direto às diretas

Com várias distritais de peso e muitos barões do seu lado, Rangel leva vantagem teórica, mas as diretas servem, precisamente, para dar a palavra a cada militante – e os votos valem todos o mesmo

Rui Rio e Paulo Rangel estão na reta final para as eleições diretas, que se disputam este sábado. . Essa é a aposta de Rui Rio, que tem feito um apelo ao que chama o “voto livre”. Embora tenha anunciado que não faria campanha, Rui Rio teve uma semana cheia de contactos com militantes, com uma forte aposta na Madeira, onde há três mil votos que podem ser decisivos. E acusou o adversário de falta de transparência, ao não responder sobre cenários pós-eleitorais, enquanto ele se declara disposto a negociar, quer à direita, quer à esquerda, viabilizando um governo PS, se for o caso.

O argumento é o de que Rangel se comporta como António Costa, em 2015. E David Justino reforçou essa nota, esta semana. Mas, em primeiro lugar, trata-se de um mito: em 2015, António Costa, em três momentos, prometeu romper o chamado “arco do Governo”, e disse que chamaria PCP e BE a soluções governativas. Afirmou-o no congresso de 2014, e, em 2015, reiterou-o em entrevistas à VISÃO e à Antena 1. Em segundo lugar, não é normal que os partidos falem de acordos pós-eleitorais antes de irem a eleições. Passos Coelho também nunca disse que faria uma coligação com o CDS…

Se, por exemplo, PS e PSD anunciassem, antecipadamente, um acordo, para o eleitor médio, tanto faria votar num como no outro… O anúncio de acordos pode ser eleitoralmente desmobilizador, coisa que Rangel – que (como Costa) mantém a ambiguidade – percebeu muito bem. O que determina os cenários pós-eleitorais é o voto. E é com base na vontade popular, uma vez expressa, que os partidos devem atuar.

Tudo isto acontece na mesma semana em que André Ventura anunciou o rompimento do acordo dos Açores. José Pacheco, deputado único do Chega no Parlamento Regional, deverá ter anunciado, esta quarta-feira, já depois do fecho desta edição, qual o sentido de voto, na votação do Orçamento Regional. Independentemente da decisão, o que fica é a instabilidade provocada por André Ventura, menos de um ano após a constituição da “geringonça” açoriana. Esta espécie de “ensaio geral” para um possível acordo nacional à direita, depois de 30 de janeiro, que incluísse o Chega (se é que alguém o admitia…) falhou rotundamente. Irá o PSD tirar ilações?…

NewsItem [
pubDate=2021-11-24 18:00:00.0
, url=https://visao.sapo.pt/opiniao/ponto-de-vista/2021-11-24-psd-direto-as-diretas/
, host=visao.sapo.pt
, wordCount=373
, contentCount=1
, socialActionCount=0
, slug=2021_11_24_2104011000_visao-psd-direto-as-diretas
, topics=[psd, opinião, filipe luís]
, sections=[opiniao]
, score=0.000000]