24.sapo.ptPatrícia Reis - 27 out. 07:04

Turismo, para que te quero?

Turismo, para que te quero?

Por canais e fibra óptica chegou às minhas mãos um email que a maioria dos partidos políticos, com assento na Assembleia da República, recebeu na passada segunda-feira. Trata-...

Este empresário na área do turismo, com seis empregados, portanto gestor de uma pequena/média empresa, tentou desesperadamente aceder ao site do Turismo de Portugal, para se candidatar a um apoio no âmbito do programa Adaptar Turismo. Passou uma grande parte do dia, o 21 de Outubro, nesta tentativa e sem qualquer sucesso. O site estava entupido ou coisa que o valha. No dia seguinte, o pesadelo continuou e, pelas 19 horas, o mesmo site avisava que as candidaturas estavam fechadas, por terem esgotado o plafond de dotações. Dizia exactamente: "Estão encerradas as candidaturas ao Programa Adaptar Turismo uma vez que com as candidaturas submetidas fica esgotada a dotação prevista".

Este empresário ficou furibundo, fez contas à vida, ao prejuízo que tem tido, às dificuldades para pagar ordenados e impostos, e decidiu escrever aos senhores que nos representam no Parlamento. Pergunta ele no seu email: "Que contas fez o Governo para decidir que a dotação seria de somente €5M quando impunha um investimento entre €2.500,00 e €15.000,00?" E ainda: "Qual o universo das empresas a abranger com este programa e qual foi a estimativa de empresas a apoiar com este programa e com esta dotação?"

Além da estratégia, o empresário interroga-se sobre a capacidade de resposta do site do Turismo de Portugal, e o evidente congestionamento. Mais ainda, interroga-se (e não creio que seja filosoficamente) quanto ao que está previsto para as empresas que não conseguiram, sequer, ter acesso ao formulário de candidatura. A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) veio pedir um reforço significativo no programa, sublinhando que muitos empresários não tinham conseguido candidatar-se. E acrescenta ainda, numa nota que me parece de alguém com enorme esperança no mundo, algo que obviamente a Mafaldinha não sentia há décadas e continua sem sentir, que a elevada procura de apoios, no âmbito do programa Adaptar Turismo, revela a "resiliência e determinação da actividade turística, bem como a propensão para o investimento, numa tentativa de melhorar a competitividade das empresas".

Eu chamar-lhe-ia desespero, sendo que o turismo é crucial para uma estratégia de recuperação económica. Claro que quem recebeu o email do tal empresário, que pede explicações, ficou perdido nos emails dos vários partidos. Afinal, a crise política é muita. No turismo, que emprega milhares de portugueses directa ou indirectamente, a crise é o que é. E o mundo continua.

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