www.dinheirovivo.ptdinheirovivo.pt - 27 out. 07:06

O acesso à informação na transformação digital

O acesso à informação na transformação digital

Falar de acesso à informação no contexto de transformação digital é invocar, ainda que implicitamente, a necessidade essencial e ancestral humana de estar ligada ao outro, em comunicação, assim como nomear um contexto económico onde os negócios são feitos e desfeitos, onde o social se replica e multiplica no encontro de ideias e vontades virtuais, onde o político ganha novos apoiantes ou novas tendências nascem diante das vozes discordantes.

A rápida disseminação e adesão às tecnologias no contexto profissional e social levou ao surgimento de novos modelos de interação social, à redefinição de antigos conceitos - liberdade, verdade, inteligência, facto, sabedoria, memória, história -, que culminou na criação de um espaço global de informação, em rede, onde a partilha de ideias, conhecimentos e emoções, por meio da interação virtual, trouxe à informação digital um papel social e económico. Fernando Ilharco, em "Filosofia da Informação", avança um pouco mais e refere que a informação tecnológica não é meramente um instrumento ao serviço do homem, ela é a própria realidade, se a entendermos como "aquilo que conta". E, atualmente, o que conta é a informação e comunicação tecnológicas.

O mundo digital, que se começou a delinear no início dos anos 40 do século XX, com o aparecimento das primeiras gerações de sistemas computacionais, é o reflexo de grandes e sucessivas inovações tecnológicas e científicas, mas também o espaço privilegiado de organização de indivíduos, que encontram nele o meio ideal para dar eco à sua voz e encontrar a solução para os seus problemas. Somos, hoje, grandes utilizadores de tecnologia e consumidores de conteúdos.

Várias são as questões que aqui poderiam ser levantadas, mas vou-me focar naquela que me diz mais respeito enquanto profissional da informação: qual o impacto da transformação digital no acesso à informação?

Ora, para responder a esta questão há vários fatores que deverei referir: o fator informação, o fator tecnologia e o fator acesso. Comecemos, então, pelo primeiro. A informação é tão antiga quanto o indivíduo e ele sempre acedeu a ela, com os meios que tinha disponíveis para responder às suas necessidades. Ou seja, a informação não é uma invenção da tecnologia, o que é inovação é a informação digital. Confuso? Para puder responder ou esclarecer (espero eu!) vou então falar do fator tecnologia. A criação e ou acesso à informação produzida em meio tecnológico está dependente da utilização hardware e software, que passa a mediar assim a cadeia de informação digital. Falemos, então, do último fator: como aceder à informação digital? Através da máquina e dispositivos nela instalados e, claro, com o bom uso que o utilizador faz dos seus conhecimentos e experiências de navegação.

E é neste contexto fértil que se fala de transformação digital, entendida como a utilização inequívoca e unilateral de sistemas tecnológicos que integrem o físico e digital, visando responder às novas necessidades das pessoas e organizações. Tal dependerá, naturalmente, da redução dos níveis de iliteracia digital que se consiga efetuar junto dos utilizadores, quer no desempenho das suas funções profissionais quer no seio familiar ou social, mas também da existência de uma estratégia concertada, alinhada com a missão das organizações.

Contudo, se é certo que a tecnologia é uma realidade incontornável e com a qual será escrita a futura história da humanidade, cabe-me, enquanto profissional da informação, evidenciar que a história narra informação produzida em dado período, seja ela atual ou tenha milhares de anos. Ou seja, recorre a ela para produzir a sua narrativa, na mesma medida que um profissional no seu dia-a-dia, seja de que área for, recorre à mesma para fundamentar as suas decisões, produzindo assim nova informação e conhecimento.

A evolução das formas de comunicação e informação alteraram a forma como o indivíduo se relaciona, complexificou as sociedades (ou será o seu reflexo?), mas o que se almeja é o acesso cada vez mais rápido e imediato à informação, através da tecnologia, para satisfazer uma curiosidade, para fundamentar uma decisão, para efetuar a compra do supermercado ou realizar uma transação financeira acordada e, sim, salvaguardar os nossos próprios direitos. E tudo isto é feito e possível com o recurso à informação.

A tecnologia veio potenciar e exponenciar a partilha de informação à escala planetária, permitindo o surgimento de novo conhecimento e de novas possibilidades à realização humana. Contudo, a dependência tecnológica para o acesso à informação digital, a obsolescência do artefacto tecnológico, são fatores que põem em causa o acesso à informação, a curto e médio prazo.

Cabe-nos a nós, profissionais, quer colaboremos no desenvolvimento de projetos de gestão de informação junto de clientes, quer operando em sede própria, reconhecer a realidade da informação em contexto de transformação digital, procurando sensibilizar os dirigentes e estrategas para a natureza do conhecimento atual e futuro.

Clara Branco, responsável pelo Departamento de Consultoria da EAD - Empresa de Arquivo de Documentação

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