observador.ptobservador.pt - 14 out. 18:05

Chefe de Estado-Maior da Guiné-Bissau denuncia mobilização de militares para golpe de Estado

Chefe de Estado-Maior da Guiné-Bissau denuncia mobilização de militares para golpe de Estado

Segundo o general, os jovens mobilizados denunciam a situação aos superiores, porque "sabem que querem estragar o seu futuro". Militares recebiam ofertas de 10 mil francos cfa (15 euros).

O chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, general Biagué Na N’Tan, denunciou esta quarta-feira tentativas de mobilizar militares com dez mil francos cfa (cerca de 15 euros) para reverter a ordem constitucional.

“Quero pedir-vos, vocês da Polícia Militar, para não alinharem com as pessoas que estão a mobilizar militares nos quartéis, porque nada se esconde hoje”, afirmou o general.

Segundo o general, os jovens mobilizados denunciam a situação aos superiores, porque “sabem que querem estragar o seu futuro”.

“Os dez mil francos cfa que estão a distribuir para abertura de conta bancária não resolvem os vossos problemas e os da vossa família”, advertiu o chefe das forças armadas guineenses.

Biagué Na N’Tan falava na cerimónia para assinalar o dia da Polícia Militar (PM) da Guiné-Bissau. O batalhão da Polícia Militar guineense é constituído por dezenas de efetivos e responde diretamente à divisão de operações e treino do Estado-Maior General das Forças Armadas.

Na ocasião, o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas apelou aos militares para não alinharem com as pessoas que querem desestabilizar a Guiné-Bissau, exortando-os a que ajudem na edificação da paz no país.

 Quero garantir-vos que as forças armadas desistiram da política e vocês também não devem envolver-se na política. Desistam da política, camaradas. Conheço todos os militares que estão a tentar mobilizar-vos, mas quero pedir-lhes para pararem, porque quem sai prejudicado somos nós, os militares”, afirmou.

Segundo o general guineense, os militares envolvidos naquelas situações são detidos e ficam sem salário, “a mendigar”, e os políticos “ficam à vontade”.

“As forças armadas estão a caminhar progressivamente, mas temos de acompanhar essa dinâmica com paz e estabilidade, porque sem paz não podemos fazer nada e nem podemos pensar que haverá investimentos do setor privado no nosso país”, disse.

A Guiné-Bissau já foi alvo de vários golpes de Estado, tendo o último ocorrido em 2012 e militares guineenses estão desde então sob sanções das Nações Unidas.

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