visao.sapo.ptMAFALDA ANJOS - 14 out. 17:50

Visão | OE2022: "Mistura-se tudo numa grande Bimby, mas o resultado sai azedo"

Visão | OE2022: "Mistura-se tudo numa grande Bimby, mas o resultado sai azedo"

A ameaça de crise política sem um Orçamento do Estado aprovado à esquerda e a reconfiguração da Direita estiveram em discussão no Olho Vivo desta semana

O Presidente da República já tinha feito vários alertas, mas ontem foi mais explicito do que nunca na dramatização: ou os partidos à esquerda se entendem para aprovação do Orçamento do Estado para 2022, ou há eleições. Viver em duodécimos, sem acesso aos fundos estruturais, não é uma opção.

“É um claro ‘forcing’ ao entendimento, que este ano está mais complicado do que nunca porque pela primeira vez o PCP ameaçou, nesta altura, não aprovar o documento tal como está”, afirmou Mafalda Anjos. “Este é um processo negocial complexo, há sempre bluff e esticar de corda de parte a parte até à votação na generalidade na Assembleia da República. O orçamento, na verdade, é pouco generoso, tem por base uma forte contenção da despesa. Está cheio de pequenas medidas com pouco impacto económico e orçamental, que servem mais para efeitos de marketing e para encher o olho”, diz a diretora da VISÃO.

É um orçamento que faz o Governo falar de forma ambiciosa, mas concretizar de forma tímida. “Mais do que o estímulo propriamente dito e as medidas, o orçamento quer passar uma mensagem. Uma mensagem de prioridades e de estratégia para o país. Mas depois vemos que a concretização dessas medidas tem uma expressão orçamental muito limitada”, refere o jornalista Nuno Aguiar. “Porque é que isso acontece? Porque o Governo está preso entre governar em minoria e ter de negociar à esquerda, a sua própria agenda, a gestão da saída da crise e a necessidade ou vontade de descer o défice. Constrangimentos que, existentes ao mesmo tempo, produzem estas várias pequenas medidas. Temos falado e vamos continuar a falar do IRS, que vale 200 milhões de euros. É só 0,1% do PIB.”

“João Leão é um Mário Centeno 2.0, segue a mesma cartilha. Tem dado continuidade à estratégia de utilizar pequenas medidas de alívio que ficam aquém do ritmo do crescimento económico e assim conseguir consolidação orçamental. A redução do défice é feita por essa via. Neste orçamento a despesa é duas vezes mais relevante do que a receita para a descida do défice”, explica Mafalda Anjos.

À direita, a reconfiguração está a tomar forma. Serão marcadas eleições diretas no PSD, a dúvida é agora para quando já que o cenário de eleições em Janeiro está em cima da mesa, e Rui Rio parece querer ir a votos. Por seu turno, Paulo Rangel soma apoios dentro do Partido, de Miguel Pinto Luz a Luís Montenegro.

Mas há mais problemas para além do orçamento. O preço dos combustíveis e as greves na saúde são alguns deles, que não devem ser descurados. “O bloqueio da Ponte 25 de Abril, em 1994, que marcou o fim do cavaquismo, deveu-se aos aumentos das portagens. Ora, esta semana, nalguns postos, o preço da gasolina atingiu os dois euros e, por menos do que isso, já vimos coletes amarelos em França… Ao mesmo tempo, dois ministros, em nome das descarbonização, recusaram qualquer hipótese de descida no imposto sobre os combustíveis. O Governo está um bocadinho autista” fiz Filipe Luis.

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