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Suspeitos da autoria de 34 assaltos ficam em prisão preventiva

Suspeitos da autoria de 34 assaltos ficam em prisão preventiva

Juiz ordenou que os três cadastrados detidos na terça-feira regressassem à prisão de Custóias, pouco tempo depois de terem sido libertados. Mulheres com ligações ao grupo foram libertadas.

Os três homens detidos, na terça-feira, pela PSP do Porto, por serem suspeitos da autoria de 34 assaltos a cafés e papelarias do norte e centro do país, ficaram em prisão preventiva. Na tarde desta quinta-feira, no final do primeiro interrogatório judicial que decorreu no Tribunal de Instrução Criminal do Porto, todos foram transportados à cadeia de Custóias, em Matosinhos, onde aguardarão a conclusão da acusação do Ministério Público.

Já uma das duas mulheres que integravam o grupo, de 19 anos, ficou obrigada a apresentações na esquadra da PSP. A outra, de 69 anos e mãe de um dos suspeitos de arrombar portas de estabelecimentos para roubar máquinas de venda de tabaco, ficou sujeita a termo de identidade e residência. Todos os cinco foram detidos durante uma operação coordenada pela Divisão de Investigação Criminal do Porto da PSP. Estão ainda proibidos de contactar entre si.

Privilegiavam locais junto a autoestrada

Tal como o JN avançou, dois dos suspeitos de efetuar 34 assaltos, residentes no Porto, abandonaram a prisão de Custóias, em Matosinhos, onde cumpriram dez de 12 anos de penas por assaltos à mão armada, em maio do ano passado. Mas mantiveram-se inativos até dezembro, mês em que foi libertado um elemento do antigo Gangue do Valbom, condenado a 17 anos de cadeia (cumpriu mais de 12) por roubos e tentativa de homicídio.

Já em liberdade, os três homens, com idades entre os 27 e os 43 anos, juntaram-se para regressar à vida criminosa. O primeiro assalto foi concretizado logo em janeiro deste ano e deu início a uma vaga de crimes que percorreu localidades como Mealhada, Cacia, Águeda, Oiã, Esmoriz e Espinho, mas também Cinfães, Paredes, Barcelos, Guimarães, Caminha e Viana do Castelo. Até à data da detenção, o gangue realizou ainda assaltos no Porto, Póvoa de Varzim e Vila do Conde.

Em todos os casos, o trio recorreu ao mesmo modus operandi. Começava por escolher meticulosamente o estabelecimento a assaltar, normalmente perto de uma autoestrada, e furtava uma carrinha (com uma bagageira capaz de transportar uma máquina de tabaco) da marca BMW, Mercedes ou Volkswagen, que lhes permitia circular a grande velocidade. E era sempre com rapidez que o grupo, durante a madrugada e já com as matrículas das viaturas trocadas, se dirigia a pastelarias, cafés e papelarias. Várias bombas de gasolina, localizadas nas autoestradas, também foram atacadas.

Para entrar nos estabelecimentos, os indivíduos usavam um de três métodos: arrombavam a porta com o próprio carro; prendiam cintas à viatura para arrancar a grade de proteção ou utilizavam marretas para partir a montra. Uma vez no interior dos espaços comerciais, o grupo arrastava, de imediato, a máquina de venda de tabaco até ao automóvel e, se tivesse tempo, furtava caixas de tabaco aquecido e raspadinhas. Na posse do material, fugia pela autoestrada até a um local ermo, previamente escolhido, para retirar os maços de cigarros da máquina. "Chegaram a fazer três assaltos numa só noite", afirmou o comissário da PSP João Soeima, numa conferência de imprensa realizada na quarta-feira.

Agrediram comerciante e abalroaram carro da PSP

As diligências feitas, desde maio, pela Divisão de Investigação Criminal do Porto da Polícia permitiu descobrir que o tabaco furtado era vendido pelas duas mulheres a recetadores e a moradores de bairros do Grande Porto, enquanto os prémios das raspadinhas eram levantados em espaços autorizados. Só na operação agora realizada, e que envolveu 15 buscas domiciliárias, a PSP apreendeu 19 900 euros em dinheiro (proveniente da venda do material furtado), 450 maços de tabaco e 492 raspadinhas. Foi ainda apreendida uma caçadeira ilegal, que o gangue usava para se proteger durante o assalto.

A arma nunca foi disparada nos roubos realizados, embora os assaltantes não hesitassem em recorrer à violência para conseguirem fugir. Em Gondomar, agrediram a murro o dono do café que, morando por cima do estabelecimento, tentou evitar o roubo da máquina do tabaco e, na Foz do Douro, no Porto, abalroaram um carro-patrulha. O incidente ocorreu em março, quando os agentes perseguiam o grupo após mais um assalto. Não se registaram feridos.

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