observador.ptobservador.pt - 15 set. 17:41

Guerras internas, telefones por atender, reforços não pedidos e o apoio da claque: a posição difícil (e isolada) de Rui Vitória na Rússia

Guerras internas, telefones por atender, reforços não pedidos e o apoio da claque: a posição difícil (e isolada) de Rui Vitória na Rússia

Spartak continua a ser um clube em ebulição numa história complicada entre um presidente ausente, uma mulher sempre crítica, um diretor desportivo que saiu e um técnico a tentar construir uma equipa.

Tinha tudo para ser aquele projeto que mais gostaria de agarrar depois da passagem pela Arábia Saudita, primeira experiência que teve no estrangeiro depois de se ter sagrado bicampeão nacional pelo Benfica: um clube histórico, uma equipa que procurava recuperar o espaço no futebol russo, um Spartak de Moscovo que se encontra em ano de centenário. Este era o cenário perspetivado pelo português Rui Vitória quando aceitou a proposta de duas temporadas com respetivas garantias feita pelos russos no final de maio. Agora, três meses e meio depois, a realidade é bem diferente. Mas, mesmo sozinho, mantinha-se o desafio.

A imprensa russa foi contando nas últimas duas semanas como esse cenário foi mudando sem que Rui Vitória tivesse influência direta no mesmo. Logo a começar, os problemas que existiam entre a mulher do presidente do clube, que se demitiu após a chegada do português, e o diretor desportivo da equipa, sendo que até mesmo fora da estrutura foi tentando bloquear esse mesmo projeto. No seguimento dessa batalha que nunca estancou, entre sucessivas críticas de Zarema Salikhova, Dmitry Popov apresentou a demissão da estrutura do futebol no intervalo do jogo com o Benfica, após uma conversa com o líder do clube.

“Fedun [presidente do Spartak] recusou o negócio do Montiel mas, acima de tudo, fiquei impressionado com a explicação: ‘Esta é a opinião do Tedesco [antigo treinador do Spartak] e concordo com ele’. Tamb��m estou cansado de ser constantemente humilhado em público pela esposa do dono do clube. Prometeu resolver esse problema mas nada mudou. Agora entendo: dado que a composição da equipa está a ser consultada com o seu Tedesco preferido, não pode ter mudado. Não suporto uma desconfiança aberta do meu trabalho. A única coisa que me resta fazer nessas condições é ir embora. Se a equipa tem a tarefa de lutar pelo Campeonato, porque é que não confiam no diretor desportivo ou no treinador?”, comentou Popov no seguimento de uma demissão que aumentou ainda mais o clima de ebulição.

Essa falta de ligação e guerras internas foram deixando a posição de Rui Vitória mais isolada, com os dois pedidos que tinha para a equipa, de um lateral e de um médio, a ficarem sem resposta. A gota de água veio no último dia de mercado nos principais mercados, quando tentou falar com o diretor geral do conjunto moscovita, Yevgeny Melezhikov, para perceber se estava em curso algum tipo de operação de última hora para colmatar as carências existentes no plantel mas ninguém atendeu nem teve resposta. Do presidente, que esteve um mês de férias fora do país, idem. E até o responsável pela direção desportiva que irá substituir Popov encontra-se fechado mas apenas poderá rumar ao Spartak em dezembro.

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A ideia inicial era mesmo dar os recursos e os reforços necessários ao treinador português para rivalizar com Zenit e demais adversários na luta pelo título mas os problemas internos agravavam-se com o passar das semanas, muitas vezes com a mulher de Leonid Fedun e antiga vice como protagonista (a mesma que, sem que alguma vez a informação tivesse sido confirmada, recorria ao horóscopo para escolher técnicos, algo que não aconteceu com Vitória). Da parte do proprietário, e numa conversa mantida com o treinador português após regressar de férias, ficou o voto de confiança naquilo que será capaz de fazer, sendo que o mercado trouxe apenas a contratação do central Caufriez… que não tinha sido pedida pelo técnico.

Foi este o caminho até Rui Vitória ficar mais isolado no Spartak, tendo apenas o plantel e os adeptos como apoio para tentar recuperar de um início de época conturbado também dentro de campo: além de ter sido afastado da Liga dos Campeões pelo Benfica, o conjunto de Moscovo sofreu três derrotas (duas em casa) nos primeiros seis jogos do Campeonato, cavando um fosso de sete pontos para o Zenit. Era por isso que o regresso após as seleções era tão importante, com a equipa a vencer em casa do Khimki por 3-1 e o topo onde estão concentradas as claques a cantarem o nome do técnico no final do encontro. Seguia-se a estreia na Liga Europa, num “grupo da morte” com Leicester, Nápoles e Legia Versóvia.

A receção ao conjunto polaco ganhava uma importância acrescida tendo em conta o duelo desta quinta-feira entre ingleses e italianos, sendo que um triunfo caseiro iria sempre garantir a liderança do grupo. No entanto, a primeira parte teve poucos motivos de interesse: um remate falhado em boa posição na área de Ponce nos minutos iniciais, um tiro cruzado para defesa do guarda-redes de Larsson, mais uma ou outra aproximação que poderiam levar mais perigo contra uma equipa que tinha os portugueses Josué (titular), Yuri Ribeiro, André Martins e Rafael Lopes (suplentes). Após o intervalo, a qualidade da partida não subiu muito mas o desgaste físico foi criando mais espaços, provocou mais oportunidades com uma bola no poste de cada equipa e trouxe nos descontos o 1-0, com Kastrari a concluiu uma grande jogada de Muçi.

Depois do balão de oxigénio que foi o triunfo diante do Khimki, o Spartak não conseguiu dar seguimento ao triunfo e complicou e muito as contas na liga Europa com uma derrota caseira frente à equipa teoricamente mais acessível do grupo onde ficou bem patente a falta de opções para conseguir mexer com o jogo entre vários erros individuais a começar pelo lance que originou o golo dos polacos. Segue-se o sempre apetecível dérbi com o CSKA, desta vez para o Campeonato. Mas o isolado Rui Vitória não tem vida fácil.

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