observador.ptobservador.pt - 15 set 23:48

UNITA diz que boicote dos canais públicos confirma censura em Angola

UNITA diz que boicote dos canais públicos confirma censura em Angola

Para a UNITA, o boicote das televisões estatais às suas iniciativas "só vieram confirmar e oficializar a reiterada censura e confissão do desrespeito e da grave violação às leis e à deontologia".

A UNITA, principal partido da oposição angolana, criticou esta quarta-feira o boicote das televisões estatais às suas iniciativas, salientando que vem “confirmar e oficializar a reiterada censura” e violação das leis e deontologia.

Um comunicado do Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Política, em que o órgão partidário analisa “todas as envolventes e consequências” da marcha do passado sábado organizada pelo partido a favor de eleições livres em Angola, sublinha que o veto à UNITA “não é da competência dos administradores da TPA” e que não são estes a determinar quem pode passar ou não na televisão pública do país.

Os canais públicos de televisão angolanos TPA e TV Zimbo anunciaram na segunda-feira que vão deixar de cobrir atividades da UNITA, justificando a decisão com agressões aos seus jornalistas numa manifestação convocada por aquele partido.

O posicionamento foi transmitido esta quarta-feira no horário nobre das duas estações televisivas estatais, com os respetivos pivôs a anunciarem a decisão das administrações dos dois órgãos de abandonarem a cobertura das atividades promovidas pela UNITA, não entrevistar os seus dirigentes, nem militantes ou outros responsáveis do partido e exigindo retratação e desculpas públicas da direção da UNITA.

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Em resposta, através do comunicado do Secretariado Executivo, a UNITA diz que os dois canais públicos “não são, de facto, seus concorrentes” e convida a tutela e os gestores daqueles órgãos “a refletirem sobre a sua reiterada prática panfletista e exclusivista contra a UNITA e o seu líder”.

Os posicionamentos “só vieram confirmar e oficializar a reiterada censura e confissão do desrespeito e da grave violação às leis e à deontologia que demonstram ignorar”, refere a UNITA.

O partido acrescenta que o seu presidente, Adalberto da Costa Júnior, condenou logo na altura “as ações dos jovens que impediram as reportagens dos correspondentes das televisões públicas” e assinala que “a legitima defesa dos colaboradores” dos canais “não pode resvalar no argumento de não lhes mandar cobrir futuros eventos organizados pela UNITA”.

O comunicado aborda ainda “o perfeito alinhamento do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social com as direções da TV Zimbo e TPA” sobre o incidente ocorrido.

O Secretariado Executivo tomou também “boa nota” das preocupações da Comissão multisetorial de combate à Covid-19, que repudiou a atitude da UNITA durante a marcha de sábado, em Luanda, por violar as medidas previstas para a situação de calamidade pública devido à pandemia, e recomenda que essas preocupação “sejam extensivas a todos os atores, incluindo o MPLA”.

O MPLA, partido do poder, anunciou para sábado uma “Marcha dos Milhões” para demonstrar a sua popularidade e apoio ao Presidente angolano, João Lourenço.

A iniciativa surge em resposta à marcha da UNITA, que juntou em Luanda milhares de angolanos, incluindo de outras forças políticas da oposição e elementos da sociedade civil.

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