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Porto em debate: a ″arma″ da regionalização e o ″calcanhar″ Selminho

Porto em debate: a ″arma″ da regionalização e o ″calcanhar″ Selminho

O caso Selminho e a regionalização aqueceram o debate da RTP com os 11 candidatos à Câmara do Porto, com Rui Moreira e o socialista Tiago Barbosa Ribeiro a trocarem galhardetes. O autarca independente ouviu ainda críticas por causa da remodelação do Museu Romântico.

Um debate com os 11 candidatos à Câmara do Porto mas que acabou por parecer mais um frente-a-frente entre o atual presidente da Autarquia e recandidato, Rui Moreira, e o rival socialista Tiago Barbosa Ribeiro, sobretudo por causa de dossiês como o caso Selminho e a regionalização.

Aliás, foi no capítulo da regionalização que Tiago Barbosa Ribeiro trouxe um novo "trunfo" para o debate da RTP com os candidatos à Câmara do Porto, ao acusar Rui Moreira de ser um falso regionalista, porque votou "Não" no referendo de 1998. O candidato do PS apontou ainda uma "contradição" no autarca independente, por defender atualmente a regionalização e não aceitar a descentralização de competências.

"Por mim, existia regionalização amanhã mas existe um problema constitucional. Sempre fui regionalista. A Câmara do Porto é que não quer aceitar competências. Existe aqui uma contradição", atirou Tiago Barbosa Ribeiro, que acabou criticado pela candidata da CDU Ilda Figueiredo, que garantiu que só ainda não houve regionalização no país porque PS e PSD "entenderam-se para adiar" a reforma. "Não houve qualquer entendimento com o PSD para adiar a regionalização", garantiu, de imediato, Tiago Barbosa Ribeiro, voltando, mais à frente, a atacar Rui Moreira por causa da regionalização. "É o candidato dos anúncios", reagiu o autarca independente, acusando os candidatos socialistas de usarem o Plano de Recuperação e Resiliência para fazerem campanha.

Já o social-democrata Vladimiro Feliz compreendeu que a Autarquia não aceite competências, uma vez que elas não são transferidas com o devido envelope financeiro. "A verdade é que a regionalização não foi feita por culpa de todos os partidos", contra-atacou Rui Moreira, explicando que, no caso das competências na área da Saúde, a Autarquia iria apenas "pagar aos funcionários e a limpeza". "Iria pagar o ajax", atirou.

Por sua vez, o bloquista Sérgio Aires considerou importante que as câmaras aceitem competências do Estado na área social e o candidato do Chega, António Fonseca, lamentou que não sejam passadas conferências para as juntas de Freguesia.

Incontornável era que entrasse no debate o caso Selminho e as fragilidades que poderá colocar no Executivo, acarretando, em caso de condenação, a perda de mandato de Rui Moreira. O que tem feito o candidato do PSD, Vladimiro Feliz, a atacar o autarca independente, considerando que não deveria recandidatar-se.

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Rui Moreira reiterou garantias de que a sua família nada ganhou com o negócio e que foi o seu Executivo que descobriu que o terreno, afinal, era municipal, procedendo à sua reversão para o poder público. "A minha família nada ganhou com isto. A Câmara ganhou um terreno. Espero que em outubro se faça justiça", afirmou Rui Moreira, num debate que decorreu no salão árabe do Palácio da Bolsa.

Já Tiago Barbosa Ribeiro tentou dar a entender que, para a candidatura socialista, o caso Selminho não um trunfo eleitoral, ao afirmar que "não é um tema político". Mas tentou ganhar vantagem, logo a seguir, ao acrescentar que não traz o tema para a campanha porque não quer dar a Rui Moreira "uma oportunidade para se vitimizar". "As pessoas que votarem no PS estão mesmo a votar em mim", assegurou prontamente, numa alusão ao facto de a Câmara do Porto ter que ficar a ser gerida pelo número dois, caso Rui Moreira seja condenado.

A propósito do caso Selminho, o candidato do Livre, Diamantino Raposinho, desafiou os seus adversários a consensualizarem a criação de um Conselho Municipal de Prevenção e Combate à Corrupção, que seria constituído por independentes e faria pareceres e recomendações.

Pelo meio, Rui Moreira ouviu críticas dos seus adversários sobre a remodelação do Museu Romântico e acabou por garantir que tinha que ser feita devido a problemas no telhado e na instalação elétrica. O autarca assegurou ainda que haverá, de seguida, uma exposição sobre têxteis da era romântica.

E foi obrigado a defender-se em relação à excessiva especulação imobiliária no Porto e ao facto de a economia da cidade estar centrada no turismo, com o candidato do Volt, André Eira, a defender turismo de maior qualidade, mais virado para a cultura e para a gastronomia e com turistas mais consumidores. Moreira.

"É possível ter outra cidade", garantiu o bloquista Sérgio Aires, enquanto o candidato do Chega, António Fonseca, questionou Rui Moreira pela falta de habitação para jovens.

"Há problemas que são claramente graves na cidade", concordou a candidata do PAN, Bebiana Cunha, referindo-se à perda de população

O candidato do Ergue-te, Bruno Rebelo, defendeu a possibilidade de os cidadãos terem armas face ao aumento da insegurança na cidade. "Os cidadãos têm todo o direito a defenderem-se", justificou.

Já o candidato do PPM, Diogo Araújo Dantas, acusou Rui Moreira de, na verdade, andar de mãos dadas pelo PS. Daí ter resolvido apoiar o único presidente de Junta socialista do concelho.

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