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ONU. Transição verde carece de 339 mil milhões de financiamento

ONU. Transição verde carece de 339 mil milhões de financiamento

A ONU, que promove na próxima semana um evento dedicado à energia sustentável, alerta para a necessidade crítica de financiamento para que todos os países do mundo tenham acesso a energias renováveis.

As Nações Unidas revelaram esta quarta-feira uma necessidade crítica de financiamento de mais de 339 mil milhões de dólares para que todos os países do mundo tenham acesso a energias renováveis e para uma transição "verde" até 2030.

O financiamento no valor de 400 mil milhões de dólares e parcerias público-privadas para a criação de mais de quatro milhões de empregos na economia verde vão ser alguns pontos a discutir na próxima semana em Nova Iorque, no Diálogo de Alto Nível sobre Energia, de 22 a 24 de setembro, o primeiro evento de alto nível pela ONU em mais de 40 anos dedicado à energia sustentável.

O anúncio foi feito hoje numa conferência de imprensa virtual pela representante especial do secretário-geral para Energia Sustentável para Todos, Damilola Ogunbiyi e pelo secretário-geral adjunto das Nações Unidas, Haoliang Xu, administrador adjunto do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

"Precisamos de à volta de 400 mil milhões de dólares só para fornecer acesso à energia renovável [a todos os países do mundo] e de mais biliões para a transição para energia limpa", disse Damilola Ogunbiyi.

"Só para contextualizar, estamos a pedir a economias nacionais que nem chegaram à industrialização para eletrificar todas as suas economias, como o setor dos transportes, setor industrial, ou setor das energias, ao qual muitos países desenvolvidos também ainda não chegaram", acrescentou a responsável.

"A melhor forma para sairmos da crise em que nos encontramos é pela criação de empregos", declarou a representante especial para Energia Sustentável para Todos, anunciando que 4,3 milhões de novos empregos "verdes" serão criados nos próximos nove anos, para "dar suporte a 228 parcerias que foram estabelecidas no contexto do Diálogo de Alto Nível".

Em relação aos 4,3 milhões de empregos a serem criados, a representante especial disse, em resposta à agência Lusa, que os empregos serão criados nos próximos nove anos, correspondendo a atividades relacionadas com as energias renováveis, como instaladores, técnicos ou também arquitetos, "designers" e especialistas em planeamento das transições para as energias sustentáveis.

"Estamos a tentar estimular as organizações para nos dizerem que empregos vão criar, quantos serão para a juventude, quanto se vai investir na formação dos jovens e das mulheres. Queremos garantir que os empregos são trabalhos onde muitas mulheres podem participar e onde podemos chegar a uma distribuição equilibrada pelos géneros", acrescentou Damilola Ogunbiyi.

O Diálogo de Alto Nível sobre Energias, que culmina na sexta-feira, dia 24, com a presença de cerca de 60 chefes de Estado, pretende incentivar ações concretas por parte dos países presentes, com "compactos", ações voluntárias para apoiar Estados-membros e intervenientes não estatais (como companhias, governos locais, regiões, organizações sem fins lucrativos e outros).

Cerca de 119 "compactos" já foram propostos à organização, declarou Damilola Ogunbiyi, acrescentando que a "ambição é de 600 mil milhões de dólares para investimentos em energias limpas, identificação e fomento de compromissos direcionados" com vista ao objetivo de desenvolvimento sustentável (ODS) número 7 da Agenda para o Desenvolvimento, a ser cumprida até 2030.

O evento a realizar-se à margem do Debate Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, diz respeito ao ODS número 7 da Agenda para o Desenvolvimento, ou Agenda 2030, que se compromete a fornecer energias limpas de forma justa, igual e sustentável para as presentes e futuras gerações em todo o mundo.

Um dos grandes problemas vem da diferença no acesso às energias entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento e da falta de financiamento para uma distribuição equitativa, disse a representante especial Damilola Ogunbiyi.

Por exemplo, em comparação com os países mais avançados, o continente africano encontra-se a quase 20 anos de muitos outros e não se pode, nestas condições, comprometer com uma transição para energias renováveis até 2030, se não houver financiamento.

"Não podemos continuar a falar para países em desenvolvimento como se houvesse um problema que é da responsabilidade deles e olhar para os países desenvolvidos como se só esses tivessem a solução. Temos de trabalhar em conjunto", incentivou a responsável.

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