rr.sapo.ptrr.sapo.pt - 15 set 17:35

Ilhas Faroé caçam 1.400 golfinhos. Governo diz que tradição é "sustentável"

Ilhas Faroé caçam 1.400 golfinhos. Governo diz que tradição é "sustentável"

Apesar da tradição ancestral do arquipélago, mais de metade da população opõe-se à matança. Organização não-governamental de proteção animal considera que a prática é "bárbara".

O governo local das Ilhas Faroé defendeu esta quarta-feira a matança de mais de 1.400 golfinhos durante uma tradicional caçada, apesar da emoção despertada por este massacre de “magnitude invulgar”, mesmo para o arquipélago do nórdico, segundo a AFP.

"Não há dúvida de que a caça aos cetáceos nas Ilhas Faroé é um espetáculo dramático para as pessoas pouco habituadas à caça e abate destes mamíferos. Estas caçadas são, no entanto, bem organizadas e totalmente regulamentadas", disse à agência France Presse (AFP) um porta-voz do governo de Torshavn.

De tradição ancestral nas Ilhas Faroé, um território autónomo dinamarquês perdido no Mar do Norte, a “grind" ou "grindadrap" consiste em encurralar, com o auxílio dos barcos, os cetáceos numa baía, onde são mortos por pescadores que permanecem em terra.

Geralmente são golfinhos-piloto, também chamados de baleias-piloto, mas no domingo foram capturados 1.423 golfinhos-de-faces-brancas, cuja caça também é permitida, num fiorde perto de Skala, no centro do arquipélago.

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"Não temos uma tradição de caça destes mamíferos, geralmente há alguns na caça, mas normalmente não matamos tantos”, disse um repórter da televisão pública local KVF, Hallur av Rana.

Segundo o jornalista, nunca foi feita uma captura tão importante no arquipélago.

De acordo com a AFP, as fotografias que mostram mais de mil cetáceos ensanguentados na praia têm gerado numerosas críticas.

"Parece bastante extremo e demorou muito matá-los, quando normalmente é muito rápido", disse Hallur Av Rana, adiantando que 53% da população do arquipélago se opôs à pesca desta espécie, mas que os faroenses não têm planos para desistir desta prática.

Descrito como uma "prática bárbara" pela organização não-governamental de conservação da vida marinha Sea Sheperd, o "grind" é um sistema de caça sustentável, segundo as autoridades das Ilhas Faroé.

De acordo com estimativas locais, há cerca de 100.000 baleias-piloto nas águas ao redor do arquipélago, que tem cerca de 50.000 habitantes.

Em 2020, cerca de 600 cetáceos foram mortos.

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