www.publico.ptManuel Carvalho - 15 set 16:39

Sobre o “prestígio” das majestades do TC

Sobre o “prestígio” das majestades do TC

Com milhares de juízes, procuradores, professores, médicos ou trabalhadores independentes a terem de mudar de cidade todos os anos, os juízes do TC não deveriam usar a patranha do “prestígio” para proteger indisfarçáveis confortos pessoais.

Os juízes que aprovaram o parecer contra a transferência do Tribunal Constitucional (TC) para Coimbra podiam invocar mil e uma razões para justificar o seu voto. Não podiam era dizer que essa intenção política, a ser apreciada em sede parlamentar, é “um grave desprestígio” para a instituição. Ao recorrerem a este argumento absurdo, acabaram por construir uma imagem do país anacrónica e estúpida. Na sua nada douta visão de Portugal e dos portugueses, eles tentam estabelecer uma hierarquia entre cidades e territórios em que o sentimento único de pertença a um país é abolido com a distinção entre a capital e a paisagem. Na primeira, têm sede as instituições “prestigiadas” e os honoráveis cidadãos que lhes dão vida; no resto, fica tudo o que for subalterno, indigno das ostentações do poder, onde trabalham e moram portugueses de segunda categoria.

NewsItem [
pubDate=2021-09-15 15:39:24.0
, url=https://www.publico.pt/2021/09/15/politica/editorial/prestigio-majestades-tc-1977564
, host=www.publico.pt
, wordCount=139
, contentCount=1
, socialActionCount=0
, slug=2021_09_15_1311033370_sobre-o-prestigio-das-majestades-do-tc
, topics=[editorial]
, sections=[opiniao, actualidade]
, score=0.000000]