observador.ptobservador.pt - 23 jul 02:12

Retirados do mercado gelados e queijos de barrar com goma de alfarroba contaminada

Retirados do mercado gelados e queijos de barrar com goma de alfarroba contaminada

Apesar de a goma de alfarroba ser um aditivo autorizado em muitos alimentos, foi descoberto que uma grande quantidade estava contaminada com substâncias cancerígenas. Já foi retirada do mercado.

As autoridades portuguesas já identificaram e retiraram do mercado nacional gelados e queijos para barrar produzidos com lotes de goma de alfarroba contaminada com um pesticida cancerígeno, revelou fonte da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).

Em declarações à agência Lusa, a diretora de Serviços de Nutrição e Alimentação da DGAV, Ana Paula Bico, explicou que os lotes de goma de alfarroba contaminada estão todos identificados, que os operadores estão “a colaborar ativamente” e que as autoridades competentes estão a verificar o cumprimento das medidas de retirada e recolha impostas.

Direção-Geral de Alimentação e Veterinária alerta para gelados com goma de alfarroba contaminados com pesticida cancerígeno

“Alguns [dos produtos] nem sequer foram produzidos em Portugal. Estão distribuídos pelo Norte e pelo Sul, os lotes estão todos identificados, já foram retirados. A rastreabilidade está a funcionar” afirmou Ana Paula Bico, sublinhando: “nem toda a goma de alfarroba está contaminada”.

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A responsável acrescentou que a goma de alfarroba é um aditivo autorizado em muitos alimentos como estabilizante ou espessante e aconselhou os consumidores a verificarem a lista de ingredientes dos produtos, onde os aditivos estão classificados pela sua função tecnológica (estabilizante ou espessante) e são indicados ou por escrito (goma de alfarroba) ou com o número (E410), e a contactar os locais de compra.

“As grandes cadeias de distribuição, nas campanhas de fidelização dos clientes, sabem exatamente o que o cliente comprou e não nos é estranho receber uma mensagem no telemóvel a dizer ‘comprou uma lasanha que tinha um alergénio não identificado, caso tenha algum problema venha ter connosco'”, acrescentou a responsável, frisando que “pelo menos há dois anos” que a grande distribuição faz esses contactos com os seus clientes.

Ana Paula Bico disse ainda que a DGAV está “a todo o momento a receber informações de toda a Europa sobre lotes que estão a ser identificados para serem retirados”, um processo que deverá ainda levar mais dois ou três dias.

A DGAV tinha alertado esta quinta-feira, em comunicado, para a possibilidade de existência no mercado nacional de alguns géneros alimentícios, como gelados, com goma de alfarroba contaminada com um pesticida cancerígeno que representa um grave risco para a saúde.

Nessa nota, explicava que tinham sido identificados, em junho, e notificados através do sistema de Rapid Alert System for Food and Feed (RASFF), alguns géneros alimentícios produzidos com goma de alfarroba (aditivo alimentar E 410) contaminada com óxido de etileno.

Segundo a DGAV, o óxido de etileno é um pesticida não autorizado que “constitui um risco grave para a saúde humana”, uma vez que “está classificado como mutagénico da categoria 1B, cancerígeno da categoria 1B e tóxico para a reprodução da categoria 1B”.

Tendo em consideração os seus efeitos para a saúde, os estados-membros concluíram que, para os produtos que contêm o aditivo E 410 contaminado com o óxido de etileno, “não é possível definir um nível seguro de exposição para os consumidores“, o que significa que a exposição a qualquer teor representa um potencial risco, acrescentava.

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