www.jn.ptjn.pt - 22 jul 01:02

Assim vai o Mundo

Assim vai o Mundo

De repente, o Mundo começou a mexer-se fora da bolha da covid-19. Em Cuba, na África do Sul ou no Afeganistão, as pessoas começaram a mover-se.

Em Cuba, o pós-castrismo tenta compreender que tem pouco tempo para continuar a conter dentro de portas esta sede de liberdade. Não adianta culpar os Estados Unidos da falta de liberdade, de condições económicas e da ausência da solidariedade internacional. O presidente Biden tem aqui também uma boa oportunidade para concluir o trabalho do então presidente Obama. A Cuba, acima de tudo, falta-lhe um homem com carisma. Seja na Oposição ou no Governo. Falta-lhe um Mikhail Gorbatchov que queira fazer a transição para qualquer outra forma de democracia.

Na África do Sul, as manifestações, depois da prisão do antigo presidente Jacob Zuma, parecem ser o resultado de as lideranças sul-africanas não terem aprendido com o exemplo de Nelson Mandela. A preocupação deste foi sempre ter estado com o seu povo nos bons e nos maus momentos.

No Afeganistão, continua a montanha-russa entre a potência que sai e os talibãs que querem entrar. Neste país tão distante e montanhoso, uma lição parece ser fácil de compreender. Nenhuma potência internacional, quer seja o Reino Unido, os EUA ou a União Soviética, conseguiu impor a paz na região. Agora, é de novo a hora de saída dos EUA, cuja Administração não pretende ter ali qualquer dificuldade para a sua gestão interna. A ver vamos qual será o resultado destas políticas.

No final da semana, parece que nada aconteceu com impacto na vida das pessoas e dos povos. Contudo, talvez tenha começado a passagem para o Mundo da pós-pandemia.

Os sinais das economias pelo Mundo parecem começar a mexer-se e a prova disso são as tendências inflacionistas e as faltas de matérias-primas.

Em Portugal, parece que nada disso chegou às preocupações da nossa classe política. As notícias que nos chegam da Europa central do mau tempo que assolou a Alemanha, a Bélgica e os Países Baixos não mereceram na hora nenhuma reação oficial.

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Ausentes, em Angola, na cimeira da CPLP, quer o PR quer o PM nada souberam comentar.

O próprio exercício da autoridade do Estado falhou de forma visível, pela não atuação de dois agentes da GNR, diga-se contra muitas pessoas, em Reguengos de Monsaraz.

Numa altura em que a desorientação governamental é evidente, quer seja pela ausência do Governo quer seja pelo seu silêncio, Portugal precisa de se preparar para ir de férias. Afinal, os fogos já começaram e o nosso MAI continua ausente em parte incerta.

Como se costumava dizer nos noticiários que abriam os filmes, nos anos 50 e 60, "e assim vai o Mundo..."

*Professor Universitário de Ciência Política

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