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Após dois meses em greve de fome, 50 ilegais foram hospitalizados em Bruxelas

Após dois meses em greve de fome, 50 ilegais foram hospitalizados em Bruxelas

Pelo menos 50 migrantes indocumentados, em estado debilitado devido a dois meses de greve de fome em Bruxelas, estão hospitalizados desde quarta-feira.

"Alguns deles tiveram de ser tratados em unidades de cuidados intensivos, em particular por causa de problemas renais", referiu Michel Genet, diretor da organização não-governamental Médicos do Mundo (MdM) na Bélgica, à agência noticiosa France-Presse (AFP).

Quarta-feira, a comissão de apoio aos cerca de 450 migrantes sem documentos que se encontram em greve de fome desde 23 de maio anunciou a suspensão do movimento, após novas conversações com os serviços de imigração belgas.

Os "grevistas" ocuparam três locais em Bruxelas, sublinhou Anas Amara, um dos membros da comissão. Segundo Amara, a igreja de São João Baptista e dois campus da Universidade Livre de Bruxelas (VUB e ULB, este último ligado ao polo francófono) deverão manter-se ocupados por mais alguns dias.

Esta quinta-feira de manhã, faltava obter o acordo para uma "saída da crise" para os cerca de 100 ocupantes de uma sala da Universidade Livre Flamenga de Bruxelas (VUB), na maioria "jovens" estrangeiros em situação irregular, cujos processos são considerados os menos sólidos "em termos legais" na Bélgica, sublinhou Amara.

As autoridades sanitárias começaram a oferecer sopa e iogurte aos migrantes que estiveram em greve de fome para os ajudar a retomar gradualmente a alimentação, uma vez que o estado de saúde de alguns deles está "debilitado".

Segundo Michel Genet, desde o anúncio da suspensão da greve, cerca de 50 pessoas tiveram que ser assistidas no hospital, provenientes do grupo de cerca de 250 migrantes ilegais que ocupou a igreja em Bruxelas.

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A MDM deu o alarme no domingo sobre a deterioração do estado de saúde dos grevistas, especialmente porque a maioria deles tinha acabado de dar início a uma "greve de sede".

Os estrangeiros ilegais, especialmente do Magrebe - na sua maioria marroquinos -, exigem uma autorização de residência para evitar serem escoltados de volta à fronteira.

A maioria vive na Bélgica há anos, alguns deles há mais de 10, trabalhando na área da construção civil.

A partir de agora, as autoridades belgas terão de analisar individualmente os casos, "num balanço de elementos positivos e negativos", sublinhou Amara.

Na ausência de critérios precisos na legislação belga, espera-se uma avaliação mais ampla das "circunstâncias excecionais" que podem dar o direito à regularização.

A forte vaga de contaminação por covid-19 vivida por certas regiões do Magrebe poderá ser considerada válida para justificar a impossibilidade de regresso aos países de origem.

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