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Visão | Juros baixos por mais tempo e acelerador nas compras. As promessas do BCE para apoiar a economia

Visão | Juros baixos por mais tempo e acelerador nas compras. As promessas do BCE para apoiar a economia

Após o ajuste da meta para a inflação, o Banco Central Europeu revelou esta quinta-feira que os juros vão continuar em mínimos nos próximos tempos

O Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa de referência em 0% na reunião desta quinta-feira. No entanto, apesar de não ter alterado o preço do dinheiro, a instituição liderada por Christine Lagarde deu indicações sobre o que esperar para a evolução dos juros, que continuarão em mínimos por um prolongado período de tempo. Já o programa de compras de dívida para responder à crise pandémica será acelerado nos próximos meses e também não se vislumbra uma data para o fim do papel ativo da autoridade monetária nos mercados. Estas decisões deverão ajudar a manter baixos os custos de financiamento de estados, empresas e famílias, de forma a ajudar a economia a recuperar do choque pandémico.

Em relação às taxas diretoras, que definem o custo com que os bancos podem ir buscar ou colocar dinheiro no BCE, o Conselho do banco central disse esperar que “permaneçam nos níveis atuais ou em níveis inferiores até observar que a inflação atinge 2%, muito antes do final do horizonte de projeção e de forma durável durante o resto do horizonte de projeção, e considerar que os progressos realizados em termos de inflação subjacente estão suficientemente avançados para serem consentâneos com uma estabilização da inflação em 2% no médio prazo”.

A taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento (taxa que os bancos pagam para contrair empréstimos do BCE a uma semana) é de 0%. E os bancos pagam um juro de -0,50% se quiserem guardar liquidez junto do banco central. Dadas as perspetivas para a inflação da Zona Euro e a nova meta estabelecida pelo BCE para a evolução dos preços, é bem provável que ainda se demore bastante tempo a assistir a uma subida dessas taxas. Isto porque as estimativas da inflação do BCE para 2023, por exemplo, são de 1,4%, bastante abaixo da nova meta simétrica de 2% definida na reavaliação estratégica concluída este mês. Antes deste ajuste, o objetivo era que a inflação ficasse abaixo, mas próxima, de 2%.

O Conselho do BCE reanalisou hoje as suas indicações sobre a trajetória futura das taxas de juro diretoras, a fim de sublinhar o seu empenho em manter uma orientação de política monetária persistentemente acomodatícia para alcançar o seu objetivo de inflação

Christine lagarde

Com esta alteração, o BCE passa a considerar indesejável não só ter a inflação acima de 2% como também se a evolução dos preços passar abaixo dessa marca. E admite que pode deixar que este indicador ultrapasse os 2% de forma transitória se isso for necessário para garantir que, no médio prazo, o objetivo é atingido. Isso permite-lhe ser mais expansionista do que com a anterior meta. E Christine Lagarde confirmou essa abordagem na conferência de imprensa que se seguiu à reunião de política monetária desta quinta-feira: “O Conselho do BCE reanalisou hoje as suas indicações sobre a trajetória futura das taxas de juro diretoras, a fim de sublinhar o seu empenho em manter uma orientação de política monetária persistentemente acomodatícia para alcançar o seu objetivo de inflação” indicou a presidente do BCE.

BCE vai ficar mais tempo no mercado a comprar dívida

Os programas de compras de ativos, que têm impedido subidas nos custos de financiamento dos estados e empresas, deverão continuar em funcionamento também por mais tempo. O programa de compra de ativos devido à emergência pandémica será conduzido a ”um ritmo significativamente mais elevado do que nos primeiros meses do ano”. O BCE não se comprometeu para um prazo final destas compras. Durarão “até ao final de março de 2022 e, em qualquer caso, até considerar que o período de crise do coronavírus terminou”.

Já o programa alargado de compra de ativos, que tem feito aquisições no valor de 20 mil milhões de euros por mês, deverá manter-se “enquanto for necessário para reforçar o impacto acomodatício das suas taxas diretoras” e apenas cessará “pouco antes de se começar a aumentar as taxas de juro diretoras do BCE”. Por outras palavras, se os juros vão demorar ainda mais tempo a subir isso implica que o banco central se mantenha também ativo no mercado a comprar dívida pública, de bancos e empresas por um período mais longo.

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