www.publico.ptpublico.pt - 22 jul 18:59

Seca deixa milhões a sofrer de escassez alimentar no sul de Angola

Seca deixa milhões a sofrer de escassez alimentar no sul de Angola

A pior seca dos últimos 40 anos está a criar milhares de “refugiados climáticos” nas províncias da Huíla e do Cunene, diz a Amnistia Internacional.

A grave seca no sul de Angola está a deixar milhões de pessoas em risco de vida, sem acesso a comida, e obrigou milhares a abandonar as suas casas e a procurar refúgio na Namíbia, revela a Amnistia Internacional num relatório publicado esta quinta-feira.

A criação de quintas para a criação de gado com fins comerciais expulsou as comunidades pastorícias das suas terras, algo que acontece desde o final da guerra civil, em 2002, explica a organização. “Milhões de pessoas no sul de Angola estão à beira da fome, presas entre os efeitos devastadores das mudanças climáticas e o desvio de terras para a pecuária comercial”, disse o director da Amnistia Internacional para a África Oriental e Austral, Deprose Muchena.

A seca que dura há já três anos, a pior das últimas quatro décadas, agravou a situação destas comunidades que já se viam privadas das terras onde trabalhavam há várias gerações. A situação mais grave tem sido registada nas províncias do Cunene e da Huíla, que enfrentam uma seca sem precedentes.

Em Maio de 2021, o Programa Alimentar Mundial (PAM) estimava que seis milhões de pessoas em Angola tinham alimentos insuficientes, principalmente no sul do país e que mais de 15 milhões utilizavam estratégias de sobrevivência baseadas em crises ou emergências, como economizar ou reduzir despesas não alimentares.

A Amnistia pede às autoridades governamentais para que tomem medidas para proteger a população nas regiões mais afectadas. “O Governo angolano deve assumir a responsabilidade pelo seu próprio papel nesta terrível situação, garantir soluções às comunidades afectadas e tomar medidas imediatas para resolver a insegurança alimentar nas áreas rurais das províncias do Cunene e da Huíla”, disse Muchena.

As organizações humanitárias angolanas estimam que sete mil pessoas, sobretudo mulheres acompanhadas de jovens e crianças, fugiram para a Namíbia nos últimos meses, e identificam-nos como “refugiados climáticos”. A gravidade da seca é vista como uma consequência directa das alterações climáticas sobre o ciclo das chuvas no continente africano.

A Amnistia cita as conclusões do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas que mostram que a “frequência e a intensidade das secas aumentaram em algumas regiões”, incluindo o sul de África, as projecções para os próximos anos é de um agravamento desta tendência. “A situação no sul de Angola é um aviso gritante de que as mudanças climáticas já estão a causar sofrimento e morte”, afirmou Muchena.

NewsItem [
pubDate=2021-07-22 17:59:03.0
, url=https://www.publico.pt/2021/07/22/mundo/noticia/seca-deixa-milhoes-sofrer-escassez-alimentar-sul-angola-1971451
, host=www.publico.pt
, wordCount=387
, contentCount=1
, socialActionCount=0
, slug=2021_07_22_1864584991_seca-deixa-milhoes-a-sofrer-de-escassez-alimentar-no-sul-de-angola
, topics=[angola]
, sections=[actualidade]
, score=0.000000]