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Valioso Atlas Portulano do século XVI foi recuperado em Espanha

Valioso Atlas Portulano do século XVI foi recuperado em Espanha

Peça é de autoria do genovês Battista Agnese, e está avaliada em 2 milhões de euros.

A Polícia Nacional de Espanha recuperou, das mãos de um cidadão britânico, um valioso Atlas Portulano do século XVI, exemplar único no país deste género de obra cartográfica criada pelo genovês Battista Agnese (c.1500-1564).

Esta peça, que a agência Europa Press descreve como “um dos grandes tesouros da cartografia mundial”, está avaliada em dois milhões de euros. Encontra-se já na posse da Biblioteca Nacional de Espanha, a quem foi doada pela Polícia Nacional. Esta força não especificou as circunstâncias em que o atlas foi apreendido, a não ser que foi alertada para o seu paradeiro por uma fonte anónima, numa altura em que ele corria o risco de sair do país.

O autor do atlas, Battista Agnese, é um cartógrafo que trabalhou em Veneza durante quase três décadas, entre 1536 e o ano da sua morte, tendo-se tornado numa das figuras maiores da cartografia renascentista — por exemplo, um seu Atlas Portulano representando a rota da viagem de circum-navegação de Fernão Magalhães num mapa-mundi faz a capa de um caderno de linhas comercializado pelo Museu da Marinha, em Lisboa.

Segundo a investigação que dele fez o historiador José Luis Gonzalo Sánchez-Molero, professor da Faculdade de Ciências da Documentação da Universidade Complutense de Madrid, aquele exemplar nasceu de uma encomenda feita por um nobre castelhano, Diego Hurtado de Mendoza, embaixador de Carlos V em Veneza, para ser oferecido como prenda ao jovem e futuro rei Filipe II (Filipe I, em Portugal). Segundo a Europa Press, Agnese realizaria posteriormente vários outros atlas para este monarca.

“Os seus atlas, considerados obras de arte pela sua qualidade e beleza, são na sua maioria portulanos e náuticos, impressos em pergaminho para altos funcionários ou para ricos mercadores”, diz a Europa Press. Crê-se que Battista Agnese desenhou perto de uma centena de mapas deste género na sua carreira, dos quais se conservam 70. E que estão muito valorizados, tanto junto dos coleccionadores privados, que os vêem como um investimento financeiro, como de instituições públicas. Em 2012, a Christie’s de Nova Iorque vendeu um desses atlas por 2,7 milhões de dólares [perto de 2,3 milhões de euros].

Aquele de que agora se fala é um Atlas tipo 2, chamado “post Californian”. Encontra-se em bom estado de conservação, tem aplicações em ouro, e deverá ter sido realizado entre 1542 e 1546.

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