visao.sapo.ptluisdelgado - 22 jul 20:50

Visão | Já voltou a comichão ao Governo?

Visão | Já voltou a comichão ao Governo?

Percebendo que esta comichão está a alastrar, de um dia para o outro, há uma pergunta obrigatória: este afã tem alguma coisa a ver com as quedas de popularidade, pedido de remodelação urgente e eleições autárquicas daqui a 2 meses?

Dia bipolar: a presidente do BCE, Christine Lagarde, está profundamente preocupada com a rápida transmissão da variante Delta, na Europa, que coloca em grande risco a retoma, e por cá, a ministra Mariana Vieira da Silva, após o Conselho de Ministros, deu indicações de que na próxima terça-feira, após a reunião do Infarmed, poderão ser tomadas medidas de alívio nas restrições atuais. Para o Governo, e só para ele – é bom que isto fique claro – o pior já passou, ou o pico em algumas das mais castigadas regiões, como Lisboa e Vale do Tejo, já foi ultrapassado. A grande curiosidade desta convicção – do Governo – é que não bate certo, de todo, com a dos cientistas, especialistas, nem com os modelos por eles criados. A menos que tenha existido, que não vimos, uma revolução na vacinação, com as duas doses, tendo como mínimo os 70 por cento da população vacinada (até agora 48,75 por cento), o pico desta 4ª vaga será atingido em meados de agosto, se não faltarem vacinas, e mesmo assim com reservas.

Já que estamos nesta vaga, nós e a Europa – Merkel cada vez mais preocupada – seria recomendável que os conselhos do Infarmed fossem cautelosos, prudentes, e acima de tudo exclusivamente técnicos e científicos. Adivinhação, tarot e bruxaria não está nas suas competências. O Governo está, outra vez, a tentar atalhar fases, a passar por cima do que melhor se pode prever desta vaga, a começar a pôr datas para o fim da pandemia em Portugal, o que, reconheça-se, teria um alcance histórico, ao renegar as convicções da OMS e do regulador europeu de controlo de doenças. Portugal decreta o fim da pandemia, em Conselho de Ministros, e o vírus está arrumado.

Não estando na cabeça do Governo, ou do primeiro-ministro, e percebendo que esta comichão está a alastrar, de um dia para o outro, há uma pergunta obrigatória: este afã tem alguma coisa a ver com as quedas de popularidade, pedido de remodelação urgente e eleições autárquicas daqui a 2 meses? Nenhuma relação, com toda a certeza, mas cheira muito a tática política, e não propriamente a estratégia sanitária. A irritação dos eleitores com o Governo e o PM tem tudo a ver com a desvalorização da variante Delta, que nos colocou na 4ª vaga, e está visto que ainda não perceberam. As restrições são apenas a fatura que estamos a pagar pelo desleixo. Será que eles querem uma 5ª vaga? Por favor, olhem para a matriz da Ordem dos Médicos e do Instituto Superior Técnico, e assimilem o estado em que estamos. Ela, a matriz, não morde. Diz a verdade. E atenua a comichão.

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