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Fernão ″pelos cabelos″ Gaivota

Fernão ″pelos cabelos″ Gaivota

Houve tempos em que uma gaivota inspirava romances e visões românticas. Deve datar também desses anos 70 a ideia de batizar com esse nome aquelas simpáticas caranguejolas marítimas onde muitos namorados se fizeram ao mar para trocar um beijo ao sabor das ondas.

Confesso desde já que nunca senti qualquer particular carinho pelas gaivotas. Talvez porque vivi quase sempre na orla costeira e há muitos anos estaciono o carro em Matosinhos, muito perto do mar e da lota, a minha relação com elas nunca foi nem boa, nem limpa. Mas nunca como agora tive razões de queixa destes animais e, valha a verdade, não descortino que beleza alguém pode ver neles.

Resolvi escolher as gaivotas como protagonistas da crónica de hoje, não pelas minhas queixas de sempre, mas porque já percebi que geram cada vez mais queixosos por esse país fora e já não só na zona costeira.

Há umas semanas, fui jantar a uma das minhas esplanadas preferidas na Baixa do Porto. Na mesa que estava entre os meus olhos e o trecho do rio Douro que de lá se avista, sentaram-se duas turistas de uma idade ainda mais meia do que a minha. Depois de pedirem a sua refeição e quase ao mesmo tempo em que chegou a comida, uma delas ausentou-se, aparentemente para ir ao WC. Educadamente, a senhora que ficou na mesa esperou pela sua companhia para começar a comer. Enquanto o diabo esfrega um olho, uma gaivota aterrou na mesa no lugar da senhora que se tinha ausentado e sem qualquer cerimónia desatou a dar bicadas no prato, antes de voar com uma parte da comida pedida.

Embora enojado com o que vi, julguei que se tratasse de um fenómeno ocasional a cargo de uma supergaivota cheia de coragem e muita lata. De então para cá, sempre que recordo esta estória, tenho logo outro amigo ou amiga que tem uma estória igual para a troca.

Julgo não estar enganado, mas ouvi dizer que a CMP tinha desencadeado com sucesso um projeto para resolver este problema à nascença. Só que agora ouvi dizer também que o projeto foi interrompido para não ferir suscetibilidades de militantes e apoiantes do PAN.

Espero que esta última coisa que ouvi não seja verdade, porque era o que mais faltava que os portuenses e os turistas que nos visitam fossem obrigados a partilhar as suas refeições com uma gaivota, só porque o PAN acha que as bichas são tão queridas e fofas que ninguém as pode incomodar, muito menos exterminar.

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*Empresário

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