observador.ptobservador.pt - 10 jun 22:16

Chegou a pior notícia. Polícia encontra corpo de uma das irmãs sequestradas pelo pai em Espanha

Chegou a pior notícia. Polícia encontra corpo de uma das irmãs sequestradas pelo pai em Espanha

Polícia descobriu dois sacos de lona presos à âncora do barco do pai: num estava o corpo de Olívia, de seis anos. O outro estava vazio, mas prosseguem...

A esperança que Beatriz Zimmerman alimentava desde 27 de abril morreu esta tarde quando a polícia espanhola confirmou que o corpo da criança encontrado no mar ao largo de Tenerife era mesmo o de Olivia, a sua filha mais velha, de apenas seis anos. Foi nesse dia que o pai, Tomás Gimeno, a sequestrou, junto com a irmã mais nova, Anna, que mal completara um ano de idade. Desde então que não havia pistas das crianças, apesar das intensas buscas, e a mãe mostrava-se otimista, garantindo que ele “adorava as filhas” e nunca lhe faria mal.

Não terá sido assim. Esta tarde chegou a pior das notícias. O navio oceânico ‘Ángeles Alvariño’ encontrou duas sacolas de lona com a âncora do barco de Gimeno. Numa estava o corpo de Olivia; a segunda estava vazia, mas as buscas prosseguem para encontrar o corpo de Anna.

A descoberta foi feita na área onde foi descoberta a botija de oxigénio de mergulho do pai das crianças e um edredão, que também lhe pertencia, na última segunda-feira. Foram os primeiros sinais depois de mês e meio de desaparecimento das crianças. Quando esses objetos apareceram, a mais de mil metros de profundidade, a zona das buscas ficou muito mais concentrada (antes estendia-se por dez milhas náuticas). Depois de vasculharem cada metro quadrado do oceano, bastaram três dias para encontrarem as bolsas de lona: estavam no lugar onde tinha sido detetado pela última vez o sinal de telemóvel de Gimeno, a 27 de abril.

Depois de confirmada a identidade do corpo, a mãe e os familiares foram informados. A esperança chegara ao fim.

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Pedro Sánchez, o presidente do Governo espanhol, foi dos primeiros a dar-lhes apoio, com uma nota de pesar no Twitter. “Não posso imaginar a dor da mãe das pequenas Olivia e Anna, desaparecidas em Tenerife, perante a terrível notícia que acabamos de conhecer. O meu abraço, o meu carinho e de toda a família, que hoje se solidariza com Beatriz e os seus entes queridos”, escreveu.

No puedo imaginar el dolor de la madre de las pequeñas Anna y Olivia, desaparecidas en Tenerife, ante la terrible noticia que acabamos de conocer.

Mi abrazo, mi cariño y el de toda mi familia, que hoy se solidariza con Beatriz y sus seres queridos.

— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) June 10, 2021

Olivia e Anna, as duas meninas raptadas pelo pai, que terão sido levadas para alto mar, e nunca mais foram vistas

Tomás Gimeno partiu com as duas filhas a 27 de abril e pouco depois enviava uma mensagem a Beatriz, a sua ex-companheira e mãe das crianças: “Vou para um lugar longe e nunca mais vais ver as meninas na tua vida”. Acrescentava que seria ele agora que “ia tomar conta delas”. Naquele dia em que lhe cabia a responsabilidade de ficar com Anna e Olivia, decidiu fugir com elas rumo a alto mar.

Alertada pela mãe, a polícia espanhola iniciou quase de imediato as buscas. No próprio dia, vê-se que  Tomás Gimeno embarca no seu barco na marina de Tenerife, mas em nenhuma as imagens de videovigilância se veem as crianças. As câmaras mostram-no a carregar seis malas e sacos desde o carro: faz três viagens do carro ao barco, carregado, pouco antes das dez da noite. E quando volta, depois das onze e dez, já não há sinais dessa carga. A patrulha que o manda parar porque já passava o horário de recolher obrigatório devido à pandemia (a patrulha faz buscas ao barco à procura de droga, mas nessa altura ainda não sabe do alerta do desaparecimento das duas meninas).

A partir daí, as buscas intensificam-se, mas não há qualquer sinal nem de cúmplices, nem de imagens que o mostrem com as filhas. Até o seu barco ser encontrado em alto mar à deriva, abandonado. Dias depois, e após variadas investigações, foram detetadas manchas de sangue no barco — que depois as autoridades chegariam à conclusão que pertencia apenas a Tomás. Percebe-se então que tinha voltado a embarcar novamente, pela segunda vez, naquela mesma noite de dia 27 de abril.

Beatriz e Tomás estavam separados desde o ano passado e ela terá sido ameaçada várias vezes pelo ex-companheiro, considerado impulsivo e temperamental. A última discussão foi na noite em que levou as filhas dizendo que ela não as veria novamente. Tomás não terá aceite o facto de Beatriz ter refeito a vida e chegou a agredir o seu atual parceiro, um belga de 60 anos, porque não queria as crianças “criadas por um velho”. Mesmo sem nunca apresentar queixa, a mãe de Olivia e Anna deu a conhecer à polícia o caso e foi ativado o protocolo de violência de género.

Gimeno tem um histórico de brigas nos últimos oito anos. Em 2013 sofreu um acidente de trânsito e recusou fazer o teste do balão (os agentes suspeitam que estaria sob o efeito de álcool ou drogas), mas foi absolvido em 2017. Entre 2015 e 2017 esteve envolvido em guerras com familiares (dois dos seus tios) que o denunciaram por tentativa de agressão e ameaças (num dos casos chegou a ser preso, mas a queixa foi arquivada, no outro foi absolvido).

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