observador.ptObservador - 10 jun 00:02

Uma aula grátis a Fernando Medina

Uma aula grátis a Fernando Medina

Fernando Medina apenas se preocupou em tratar da cosmética da cidade ao ritmo dos ciclos eleitorais. Foram anos perdidos onde a cidade não se preparou...

Nos últimos dias, Fernando Medina, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, afirmou perante os Lisboetas que era “IMPOSSÍVEL encontrar um modelo SEGURO para os arraiais em Lisboa”. Por sorte, abordou e baralhou três temas que estão diretamente relacionados com a minha experiência profissional e académica e, por isso, aqui ficam três breves esclarecimentos que ajudam a entender a razão pela qual o atual Presidente de Câmara não está preparado para aproveitar as oportunidades e responder aos desafios futuros que Lisboa terá de enfrentar no pós-Covid-19:

  • Perante a incerteza e o desconhecido não existem impossíveis, existem probabilidades. O conceito de impossibilidade está diretamente relacionado com o passado, sendo de facto impossível fazer o que não foi feito ou decidir o que não foi decidido. No que refere a eventos futuros não existem impossibilidades, existem incertezas. Tal leva a que deva ser utilizada uma abordagem de risco que admite a probabilidade de ocorrência de eventos futuros com impactos nos objetivos. A análise de risco, em função de parâmetros de tolerância, permite diferentes tipos de resposta como a mitigação ou a aceitação, sendo a eliminação do risco – a única estratégia conhecida por Fernando Medina – a última estratégia a considerar por ser aquela que para eliminar o efeito negativo tem de eliminar igualmente qualquer efeito positivo. A prudência que Fernando Medida diz ter em relação aos Santos Populares de 2021 mais não é que uma estratégia de “deitar fora a criança com a água do banho”.
  • A segurança não é um fim em si mesmo, mas um elemento fundamental de confiança no presente e futuro. O conceito de segurança de Fernando Medina está para os dias de hoje como o socialismo: só faz sentido nos livros de História. Num contexto económico, social e até tecnológico, onde a velocidade, complexidade e incerteza são constantes, o conceito de segurança não deverá ser utilizado como fim, mas como instrumento fundamental para garantir a confiança e a criação de valor. Fernando Medida acredita que apenas existem os estados “seguro” e “inseguro”, quando deveria reconhecer que apenas podemos definir objetivos para o “nível de segurança”. Adotar estratégias preventivas de identificação, proteção e deteção de ameaças continua a ser importante. No entanto, uma cidade no presente deve estar preparada com estratégias de resposta e recuperação para que possa ser resiliente. Quem se propõe dirigir Lisboa aos solavancos, num pára-arranca contínuo, não justifica sequer o ordenado de presidente de Câmara, quanto mais o reconhecimento como líder respeitado.
  • Lisboa pode inovar na tradição e ser uma cidade (muito mais) inteligente. Fernando Medina só é capaz de imaginar o passado e aguarda pacientemente que tudo passe para que possa voltar à Lisboa de 2019. Desde que foi abandonado na Câmara Municipal de Lisboa, que Fernando Medina apenas se preocupou em tratar da cosmética da cidade ao ritmo dos ciclos eleitorais municipais e nacionais. Foram anos perdidos onde a cidade não se preparou para enfrentar os desafios do presente, nem para aproveitar as oportunidades do futuro. A “Gestão de Eventos Inteligente” faz parte da estratégia de desenvolvimento económico e de cidadania de qualquer cidade inteligente. Uma Lisboa mais inteligente deve ser capaz de usar tecnologias de análise de vídeo e sinalização digital para ajudar os promotores de eventos, voluntários e socorristas a tomarem ações preventivas e proativas para controlo de multidões, gestão de tráfego, segurança pública e resposta a emergências. Os participantes dos eventos devem ter acesso a informação que permita experiências mais seguras e agradáveis.

Fernando Medina mostrou mais uma vez aos Lisboetas que não está preparado para liderar a Câmara Municipal de Lisboa no “novo normal”, onde a propaganda e as lógicas de poder e influência do Partido Socialista são manifestamente curtas para responder às ameaças e incertezas que se avizinham. Está na hora dos lisboetas mostrarem a Fernando Medina que não são barrigas de aluguer de secretários-gerais do PS e que querem uma liderança na Câmara Municipal de Lisboa que seja capaz de dirigir Lisboa rumo ao futuro.

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