eco.sapo.pteco.sapo.pt - 5 mai 07:30

Super Bock quer copos de cartão para beber cerveja nos festivais

Super Bock quer copos de cartão para beber cerveja nos festivais

Em entrevista ao Capital Verde, Graça Borges, diretora de comunicação do Super Bock Group, revelou que a empresa já conseguiu reduzir em mais de 55% as emissões de CO2 e 35% os combustíveis fósseis.

Promoção de um consumo inteligente, redução do plástico, redução das emissões de carbono, aumento da expressão no mercado da tara retornável e redução dos consumos de água. Estes são os cinco pilares da Estratégia de Sustentabilidade para o triénio 2020-2022 do Super Bock Group. Em cima da mesa estão metas como a redução do consumo dos atuais 3 para 2,6 litros de água por cada litro de cerveja produzido até 2025, e a empresa está também a estudar a possibilidade de optar por copos em cartão (em vez dos atuais copos de plástico reutilizáveis) nos festivais patrocinados pela marca.

Em entrevista ao Capital Verde, Graça Borges, diretora de comunicação da empresa, diz que é difícil contabilizar o investimento já feito na área da sustentabilidade. “Em termos de investigação e desenvolvimento (I&D), como este desafio nos obriga a repensar, a redesenhar e a inovar, já investimos mais de 12 milhões de euros, em 2019, no setor agroalimentar”, afirma.

Além do investimento externo, a empresa também investiu 100 milhões de euros no seu complexo industrial, com a construção de uma nova sede, um novo armazém logístico totalmente automatizado e um novo centro de produção de cerveja, que alia novos equipamentos, tecnologicamente mais avançados, a uma maior capacidade de produção. Este projeto de melhoria das instalações tinha como objetivo conseguir tornar a produção mais sustentável e isso foi alcançado, garante.

Através do investimento em novas máquinas e outros materiais, foi possível melhorar os indicadores do consumo de energia, da qualidade do ar, da eficiência no uso de água, entre outros.

Para a diretora de comunicação do Super Bock Group, “as empresas que são capazes de investir para se tornarem sustentáveis, não só no presente, mas também no futuro, e que percebem que a sustentabilidade tem de assentar nos 3 pilares — económico, social e ambiental — terão o melhor retorno do seu investimento”.

Gastar 2,6 litros de água na produção de cada litro de cerveja é meta para 2025

Entre 2010 e 2018, o Super Bock Group já diminuiu o consumo de água em cerca de 25%, mas tem o objetivo de reduzir mais 13% até 2025.

Atualmente, gastam ainda 3 litros de água na produção de cada litro de cerveja, mas Graça Borges revela que querem chegar aos 2,6 até 2025 e “continuar nesta trajetória”

Recentemente, o Super Bock Group assinou o Pacto para a Gestão da Água, criado pela Católica-Lisbon School. “As parcerias permitem-nos perceber como é que os agricultores podem utilizar tecnologias e que tecnologias são essas para que a água seja um recurso utilizado de forma consciente, com menor impacto, com menor consumo”, explica a diretora de comunicação do Super Bock Group.

Redução de “5 a 6 mil toneladas de plástico” em embalagens PET

Tudo começou com a reutilização do plástico. A diretora de comunicação do grupo revela que, pelo facto de terem introduzido os copos de plástico reutilizáveis nos festivais de música, deixaram de se colocar no mercado 6 milhões de copos de plástico.

“Em festivais e outros eventos, até por questões de segurança, não se pode utilizar vidro, portanto, tem de se ter um recipiente para as pessoas poderem consumir as suas bebidas, mas o que é importante é que se faça isso de uma forma circular. Vamos continuar a olhar para o que é que é mais amigo do ambiente. Se houver uma solução melhor para estes copos reutilizados, havemos de as encontrar”, garante.

Questionada sobre a possibilidade de optarem por copos em cartão, Graça Borges admite que é uma opção que estão a estudar, mas explica que existem alguns “contras” nesta opção: “Todas as embalagens que nós vemos, até em take away, e que parecem em cartão, na verdade, têm uma película de plástico porque, de outra forma, ficariam molhadas. Por isso, a indústria está a estudar para perceber qual o melhor, para que não haja dois materiais”.

Apesar de ter um negócio maioritariamente assente em cerveja, o Super Bock Group detém outras marcas, como a Vitalis, onde a utilização de plástico é muito maior. Por essa razão, surge a necessidade de se reinventarem e de procurarem soluções que, mesmo com o uso de plástico, não sejam prejudiciais à natureza.

“O negócio das águas em Portugal está mais assente em PET. E, portanto, houve sempre aqui uma preocupação, no caso da Vitalis, em assegurar que, ao longo dos anos, se fazia redesenho e inovação das embalagens para que se pudesse ter menos utilização de plástico virgem. Nós temos vindo a reduzir entre 5 a 6 mil toneladas de plástico nestas embalagens PET”, afirma a diretora de comunicação, que acrescenta: “Temos de combater a utilização de plástico virgem e promover a reutilização”. Exemplo disso é a nova embalagem da garrafa Vitalis, com plástico 100% reciclado”.

Além das embalagens primárias, o Super Bock Group preocupa-se, ainda, com as embalagens secundárias, nomeadamente as que envolvem as paletes e que se colocam à volta das embalagens para permitir que estejam agrupadas. Recentemente, na embalagem das cervejas Carlsberg a empresa apresentou uma solução mais sustentável que permite unir as latas de cerveja com uma cola, e vez do plástico.

No caso das garrafas de cerveja, que são feitas apenas com vidro, o grupo já incorpora 50% de casco de vidro. Trata-se de vidro que é recolhido, reaproveitado e que vai dar origem a uma nova garrafa.

Nesse sentido, a diretora de comunicação do Super Bock Group destaca a cor âmbar das garrafas de cerveja como a mais-valia para poder usar mais casco de vidro: “As nossas garrafas de cerveja são recicláveis, não só porque o vidro é um material que pode reciclar-se infinitamente, mas também porque temos uma cor âmbar, que é fundamental para proteger a qualidade da cerveja, mas que também permite a incorporação do casco de vidro”.

“Eu creio que a norma na indústria de vidro tem uma banda de casco incorporado, consoante a tipologia, que anda entre os 15% e os 65%, mas as garrafas de cerveja, por terem esta cor âmbar, estão na banda máxima de incorporação de casco de vidro”, acrescenta.

Redução do consumo de energia, eletricidade e combustíveis fósseis

Nos últimos nove anos, a empresa conseguiu reduzir em mais de 22% o consumo de eletricidade, diminuiu em mais de 55% as emissões de CO2 e o consumo de combustíveis fósseis em mais de 35%.

“A parte industrial é uma área onde já temos vindo a trabalhar há alguns anos e a conseguir sucessos de redução de consumo de energia (combustíveis fósseis), mas a utilização de energias mais verdes na parte dos automóveis é algo mais recente. Temos conseguido gastar menos combustíveis porque as viaturas, hoje em dia, são mais eficientes do que eram há 10 anos, mas também queremos estar atentos àquilo que a indústria de carros, sobretudo de distribuição vai lançando”, admite a diretora de comunicação.

Apesar de já haver evolução de energia verde para o transporte de passageiros, Graça Borges considera que, na parte dos carros de distribuição, há menos opções “também por causa do peso, isto porque ainda está em curso o estudo de como é que se consegue ter transportes que são eficientes em termos de energia, mas que têm autonomia e capacidade para peso porque, numa viatura de transporte, o consumo está associado à carga que leva e à distância também”.

Neste ponto, o Super Bock Group preocupa-se, também, em ter veículos que cumpram os requisitos que as cidades onde vão distribuir exigem. “Portanto, há que estar atento aos desenvolvimentos porque temos de garantir que temos carros com autonomia suficiente para fazer os percursos e a distribuição com menor impacto ambiental”, refere.

Consciencializar os consumidores para aumentar a reciclabilidade

“Queremos fazer com que o consumidor esteja mais consciente da importância de separar o lixo, de o colocar no contentor correto, para que nós tenhamos a capacidade, não só de redesenhar, inovar e procurar materiais mais eficientes, mas também que o consumidor os devolva para que possam voltar a integrar um circuito de embalagem”, esclarece Graça Borges.

No caso do vidro, o processo de reciclagem é mais facilitado, uma vez que não fica contaminado, mesmo que seja colocado no meio de outro lixo. Isto porque vai aos fornos, com temperaturas elevadas, que acabam por torná-lo esterilizado. Já nos alumínios e, principalmente, nos plásticos tem de haver mais cuidado e, por essa razão, é que importa assegurar uma boa reciclagem.

Para promover a reciclagem e a reutilização de materiais, a diretora de comunicação do Super Bock Group refere que a empresa, além de se associar a entidades externas que a ajudem neste caminho, também incentiva, de forma mais direta e interna, os formatos reutilizáveis e/ou retornáveis (nos casos em que seja possível), juntos dos seus consumidores.

“Temos de trabalhar muito através do packaging, através da comunicação e de parcerias para educar para estas matérias, mas também temos que apoiar muito organizações como a Sociedade Ponto Verde, que fazem divulgação para que o consumidor esteja esclarecido. Internamente também já promovemos, principalmente no consumo fora de casa, os formatos de garrafas de vidro reutilizável e barril, que não geram resíduos. Esta é uma alternativa para que o canal Horeca não precise de se preocupar, ao final do dia, em pôr as garrafas no vidrão porque, usando uma retornável, nós vamos ao ponto de venda e trazemos de volta”, diz.

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