www.jn.ptjn.pt - 5 mai 01:02

#NotMeToo

#NotMeToo

Que eu conheça, há dois tipos de denúncias anónimas. Aquelas em que se acusam pessoas sem que ninguém saiba quem acusa. São as mais frequentes. Menos frequentes, mas mais "modernas", existem agora aquelas em que quem acusa dá a cara, mas não dá o nome do acusado. Ou acusada.

Nas primeiras, havendo indícios de crime público, as autoridades são obrigadas a abrir inquérito e investigar, nem que acabe tudo primeiro nas redes sociais ou nas páginas dos jornais e depois num arquivamento, seguido de um pedido de desculpas formal ou de um desmentido de rodapé.

Nas segundas, tudo começa num programa de televisão, nas páginas de uma revista ou jornal e na impunidade das redes sociais, mas ainda não se conseguiu apurar como é que acaba. Sem uma queixa formal e concreta, não se imagina como poderão atuar as instâncias judiciais. No universo informal e especulativo da comunicação e das redes sociais, tudo pode acontecer... e acontece.

Se as denúncias em que quem denuncia a corrupção se esconde é recorrente, naquelas em que é o acusado a ser escondido, ou a acusada, o que está mais em voga é o assédio sexual. Focando-me nesta questão das últimas denúncias públicas de assédio feitas por figuras públicas, não me quero deixar distrair pela putativa e eventual necessidade de mediatismo das ditas figuras. Muito menos duvidar da sua qualidade de vítimas.

Apesar de muitas e variadas participações e colaborações em múltiplos canais televisivos dos generalistas aos outros, nunca aceitei desempenhar nenhum cargo diretivo nesta área (descontando a chefia da secção desportiva de "O Comércio do Porto", no final dos anos 80, e a direção dos jornais temáticos da área profissional, do têxtil e vestuário, já neste século). Mas se, porventura, tivesse tido alguma responsabilidade diretiva nessa área, estaria agora no rol de suspeitos em função das denúncias feitas.

Se eu fosse vivo e me chamasse, por exemplo, Emídio Rangel, José Eduardo Moniz, Manuel Fonseca, Francisco Penim, Luís Marques, José Alberto Carvalho, Nuno Santos, Maria Elisa, Gabriela Sobral, José Rodrigues dos Santos, Júlio Magalhães, Sérgio Figueiredo, Luís Cunha Velho, Judite de Sousa, Daniel Oliveira, Rodrigo Guedes de Carvalho, Manuel Rocha, Pedro Pinto, Joaquim Sousa Martins, António Prata, Mário Moura, António Borga, Ana Torres, Daniel Deusdado, Júlia Pinheiro ou Cristina Ferreira, não aceitaria viver sob suspeita. E não havendo queixa nem acusação, só é possível a defesa da honra no mesmo terreno da denúncia.

A minha sugestão é que lancem já um movimento #NotMeToo em que fique claro que neste #MeToo à portuguesa não são tidos nem achados. Ou achadas!

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*Empresário

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