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″Até Gulliver, no princípio do século XVIII, se 'desenrascava' em português″

″Até Gulliver, no princípio do século XVIII, se 'desenrascava' em português″

António Sampaio da Nóvoa, embaixador português na UNESCO, esteve por trás da criação do Dia Mundial da Língua Portuguesa e faz questão de sublinhar que Brasil é parceiro essencial na promoção de um idioma que tem a vantagem de ser pluricêntrico.

Como é a relação com os outros embaixadores na UNESCO de língua portuguesa, ou seja, o facto de falarem a mesma língua aproxima-vos ou, na verdade, para poliglotas - como geralmente os diplomatas são - é uma coisa de somenos?
Não, é uma coisa que nos aproxima muito. Precisamos de fazer mais, de trabalhar mais em conjunto ainda, nos países da CPLP, nas organizações multilaterais, mas a nossa relação com o embaixador do Brasil é praticamente diária, assim como com Angola e Moçambique; com Cabo Verde é também muito regular. Portanto, a nossa proximidade é forte e estamos a conseguir, no quadro da UNESCO, ter uma ação concertada importante, e isso tem obviamente que ver com a língua portuguesa.

Foi em tempos professor convidado da Universidade de Brasília e também no Rio de Janeiro. Quando pensamos na língua portuguesa é inevitável pensar no Brasil como - vou usar uma citação de Luís Faro Ramos, o anterior presidente do Instituto Camões e agora lá embaixador - "o navio-almirante da língua portuguesa"?
Eu tenho uma relação muito próxima com o Brasil - fui várias vezes convidado por universidades brasileiras, estive em Brasília em 2014, estive no Rio de Janeiro em 2017 -, uma relação muito profunda a nível pessoal, institucional e académico. Obviamente, o Brasil é a grande referência da língua portuguesa do ponto de vista quantitativo, do ponto de vista da sua presença no mundo, e tudo o que fizermos sobre a língua portuguesa vai estar, em grande parte, dependente da colaboração do Brasil, e o Brasil tem dito isso. O Dia Mundial da Língua Portuguesa avançou, certamente por iniciativa nossa, mas desde o primeiro momento com a colaboração do Brasil, aliás, com a colaboração de todos os embaixadores dos países da CPLP, e foi isso que lhe deu força. Foi uma iniciativa que teve força justamente por essa presença conjunta de todos os embaixadores. É muito interessante ver, um ano e meio depois da proclamação do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que a língua está nas organizações multilaterais com mais força, com mais visibilidade. Toda a gente fala deste dia, toda a gente fala da língua portuguesa. Obviamente que a eleição de António Guterres para secretário-geral das Nações Unidas teve também um contributo muito importante. Aliás, no vídeo do Dia Mundial da Língua Portuguesa, a mensagem que ele faz neste ano sobre a língua é muito interessante. Falando do Brasil, é óbvio que se um dia o Brasil conseguir chegar a ser membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, isso será também um elemento central para a afirmação da língua portuguesa no multilateralismo.

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