sol.sapo.ptGuilherme Valente - 4 mai 20:40

Entregues aos bichos

Entregues aos bichos

E agora vou tentar explicar o que terá levado a pessoa a quem foi entregue a pasta da Cultura ao ato de des-governo que, por distração ou alheamento, o primeiro-ministro e todos os ministros aceitaram ou engoliram.

Com o primeiro-ministro muito ocupado, suponho, com a ‘bazuca’ (que raio de nome!), a pessoa a quem foi confiada a pasta da Cultura acaba de arrastar o Governo para um decreto que é uma bomba atómica no setor do livro. Logo, na leitura, no conhecimento, na liberdade, no desenvolvimento do país. 

Uma medida ignorante e absurda, como percebe quem tenha um conhecimento básico do setor e queira pensar um segundo no assunto.

Prejudica todas as partes: leitores, editores e livreiros. Mesmo os pequenos livreiros (3% do mercado!) são prejudicados, porque tudo o que debilite ainda mais as editoras (99% delas a viver no fio da navalha), tudo o que faça subir ainda mais o preço dos livros (encolhendo o número de leitores, já tão baixo), obviamente os afeta. 

O que terá levado a pessoa a quem foi confiada a pasta da Cultura a comprometer todos os ministros em tal aberração, tão danosa cultural e economicamente? 

Primeiro vou referir o processo, tal como várias fontes garantem ter-se desenrolado.

Parece ter sido mais um ‘orgasmo’ esquerdista (desses que abundam no Governo) com o objetivo de atingir os ‘ricos’, os ‘capitalistas’, isto é, os editores; e proteger os ‘pobrezinhos’, os ‘proletários’, isto é, os livreiros. E até se esqueceu que o polo empresarial mais poderoso no setor – tão prejudicado e contrariado como eu, registe-se – reúne o grupo editorial mais forte e o maior grupo livreiro. 

E que dizer do desprezo absoluto a que nesta história o Governo votou a APEL, a única associação de editores e livreiros? 

Fica assim mais uma vez demonstrado o tipo de competência, responsabilidade social e métodos democráticos que caracterizam pessoas deste Governo. E fica também bem documentado como uma medida gravíssima de um Governo pode ser determinada por um ‘promotor’, que anda por aí a gabar-se do feito.

Como sair disto? Talvez importando primeiros-ministros de Singapura, criando uma equipa, digamos, como a que parou o Al Capone (lembram-se do filme?) e leis que queiram salvar o país.

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