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Deputados da República, quantos conhecem?

Deputados da República, quantos conhecem?

Lembro que a temática da qualidade dos resultados do trabalho parlamentar dos deputados, a ligação destes à sociedade portuguesa e aos seus complexos problemas da atualidade (falta comunicação política efetiva e eficaz de viva voz entre representantes e representados, da grandeza das causas das políticas públicas, suas opções e justificações) interessa-me de sobremaneira, já escrevi vários artigos sobre estes Representantes da Nação, neste jornal, ao longo dos últimos anos.
Na minha opinião, não é possível desenvolver e fazer crescer Portugal sem uma democracia forte, apoiada nos cidadãos e na imagem que os portugueses têm e guardam dos deputados, esta é o espelho, retrato, uma espécie de “curadoria” coletiva da qualidade da democracia de Portugal.
Revisito esta temática porque o diretor do jornal “Público”, Manuel Carvalho, assinou um editorial com o título “O perigo dos deputados em exclusividade”, no passado dia 26 de abril. E escreve “Um Parlamento vivo, democrático e dinâmico não prescinde de cidadãos com as suas profissões, os seus saberes, as suas experiências. Se obrigados a suspender ou comprometer uma carreira, nenhum desses cidadãos aceitará ser deputado. Só os profissionais da política lá chegariam. Sem advogados, médicos, engenheiros ou académicos prestigiados e competentes, a qualidade do Parlamento deteriora-se.”
Tenho muita dificuldade em aceitar que os deputados possam sê-lo em regime de “part time”, hoje sinto que é desprestigiante assumir a função de Representante do Povo, procurador do interesse público coletivo, quando, por exemplo, assisto a deputados serem comentadores semanais clubísticos de futebol em “media” e outras banalidades nas redes sociais, face à grandeza da causa pública “Polis”.
A dúvida colocada pelo Manuel Carvalho no seu editorial, que os profissionais competentes só em “part time” aceitarão ser parlamentares, não terá antes de mais a ver com a respetiva remuneração como deputado, limitada comparativamente a pessoas com muito sucesso profissional, em lugar de a limitação ser resultante do tempo despendido no exercício da função? Na minha opinião, cada deputado deveria exercer mandato a tempo inteiro e ser remunerado pelo mesmo valor do IRS do último ano antes da tomada de posse. Desta forma, ninguém ficaria prejudicado por servir a causa pública a tempo inteiro (não haverá tempo disponível após participar no trabalho parlamentar das comissões e debates, assim como estudar os dossiês, contatar os cidadãos, promover legislação, fiscalizar o Governo e a administração pública, divulgar a agenda e as causas em que está a trabalhar, etc.).
O papel e estatuto de Deputado da República, na perceção da sociedade, está num nível muito abaixo daquele que entendo que deveria estar e ser numa democracia forte e funcional. Se não estiverem de acordo comigo, caros leitores, desafio-os a elaborarem uma lista de deputados que conhecem dos “media” e das redes sociais, coloquem à frente do nome o partido e as respetivas funções/causas. Eu elaborei a minha lista e fiquei abaixo de 50 no universo de 230 deputados da Assembleia da República (menos de 20%). Afinal, quantos conhecem? E se forem os deputados do Vosso distrito que  vos representam diretamente, número/percentagem, identificam?
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