sol.sapo.ptsol.sapo.pt - 4 mai 21:10

Afeganistão. Talibãs retomam a ofensiva em Helmand

Afeganistão. Talibãs retomam a ofensiva em Helmand

Com os EUA de saída, a dúvida é se o objetivo da ofensiva é reforçar a mão talibã nas negociações com Cabul ou ensaiar a tomada do resto do país

Com a data limite para a retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão a aproximar-se (Biden disse que estaria concluída até 11 de setembro), seguida pela retirada dos seus aliados da NATO, os talibãs lançaram uma ofensiva maciça contra o Governo afegão, focada na contestada província de Helmand, onde ainda este domingo os norte-americanos entregaram a base Camp Antonik às forças afegãs. Alguns analistas dizem que a ofensiva pode ser uma tentativa dos talibãs reforçarem a sua mão nas futuras negociações com Cabul, após a retirada internacional. Outros veem-na como um ensaio da tomada do país, salientando as debilidades e corrupção entre as forças governamentais.

O desafio que têm à frente é enorme, com os talibãs a ganharem terreno de dia para dia, apanhando civis pelo o meio. “Houve uma tempestade de disparos de armamento pesado e explosões na cidade. E o som do armamento ligeiro era como se alguém estivesse a fazer pipocas”, contou Mulah Jan, morador de um subúrbio de Lashkar Gah, a capital provincial de Helmand, em declarações à Reuters. “Pus os meus familiares no canto do quarto, enquanto as explosões e tiros aconteciam mesmo ao lado dos nossos muros”.

Na prática, o que estava a acontecer era o avanço de militantes talibãs de várias direções, conseguindo tomar inclusive vários checkpoints esta segunda-feira, admitiram as forças armadas afegãs. Após sucessivos bombardeamentos aéreos e a chegada ao terreno das tropas de elite afegãs, treinadas pelos EUA e pela NATO, vinda de Camp Antonik, na terça-feira, os talibãs recuaram de Lashkar Gah, sofrendo mais de meia centena de baixas, disseram fontes oficiais à France Press. Mas todos sabem que, à noite, as montanhas que rodeiam a cidade continuam a pertencer aos insurgentes. 

Para os EUA, cujos cerca de 2500 soldados no país começaram a retirar este fim de semana, caso caia Helmand, será de uma derrota particularmente amarga. Por um lado, trata-se de uma região particularmente chave no cultivo de ópio, uma das grandes fontes de receitas dos talibãs; por outro, trata-se da província onde as forças internacionais sofreram o grosso das suas baixas ao longo destas duas décadas de guerra.

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