observador.ptobservador.pt - 4 mai 23:27

Emissões de CO2 mais baixas 20%. Bosch, Shell e VW desenvolvem gasolina “renovável”

Emissões de CO2 mais baixas 20%. Bosch, Shell e VW desenvolvem gasolina “renovável”

Lembra-se do gasóleo R33? Agora chegou a vez da “Gasolina Azul”, um combustível desenvolvido pela Bosch, Shell e Volkswagen que promete emissões de CO...

Bosch, Shell e Volkswagen juntaram-se para desenvolver uma gasolina que contribui menos para o efeito estufa, já que garante emissões de dióxido de carbono (CO2) 20% inferiores à gasolina convencional. É a chamada Blue Gasoline (“Gasolina Azul”), combustível que, à semelhança do R33 Blue Diesel de que já aqui lhe falámos, se destaca por incorporar 33% de componentes renováveis (essencialmente gordura vegetal), permitindo às três empresas anunciar “uma redução das emissões de carbono do poço à roda (well-to-wheel) de pelo menos, 20% por cada quilómetro percorrido”.

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Assumindo que tal como R33 BlueDiesel, a nova Blue Gasoline não tem a veleidade de pretender substituir alternativas de electromobilidade, mas sim complementá-las, as três companhias destacam os benefícios da nova gasolina que, numa fase inicial, começará por ser disponibilizada nos postos de abastecimento alem��es. O exemplo avançado considera 1000 unidades do Volkswagen Golf, da última geração (8.ª), todos eles equipados com o motor 1.5 TSI e a percorrer anualmente uma média de 10.000 km cada. Segundo a nota de imprensa, se essa frota atestar apenas de Blue Gasoline, pode “poupar mais de 230 toneladas de CO₂ por ano”.

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Sem implicar quaisquer alterações nos motores novos ou antigos, que habitualmente consomem gasolina Super 95 ou 98, que segundo a denominação moderna são conhecidas como E5 ou E10 (por incluírem 5% ou 10% de etanol), o novo combustível não só obedece à norma reguladora (EN 228/E10) como até supera alguns requisitos do regulamento, nomeadamente no que respeita à estabilidade do armazenamento e ao comportamento da ebulição, asseguram as empresas envolvidas.

Cuidado! Se vai atestar à bomba, não se confunda

À “receita”, em que 33% dos “ingredientes” são nafta ou etanol à base de biomassa – nafta aqui não como um derivado do petróleo, mas sim obtida a partir de outros materiais residuais, por exemplo, como subproduto da produção de pasta de celulose para a indústria do papel – são depois adicionados os habituais aditivos, cuja qualidade permite “manter o motor limpo e protegê-lo contra a corrosão”.

A Shell compromete-se a produzir a nova gasolina e a distribuí-la pelos postos de abastecimento que já possui e a “compensar as restantes emissões de carbono através de acordos certificados”. O responsável pelos Combustíveis Especiais da petrolífera, Felix Balthasar, congratula-se com o facto de a homóloga do R33 BlueDiesel representar “um grande passo, em termos de sustentabilidade, nos motores a gasolina”.

Já a Volkswagen prefere colocar a tónica no que isto significa especialmente para os veículos híbridos plug-in (PHEV) que, quando ficam com pouca carga na bateria, passam a concentrar as despesas da locomoção no motor a combustão, sendo que a maioria dos PHEV no mercado está equipada com um bloco a gasolina – a Mercedes é dos poucos fabricantes a disponibilizar PHEV em que o motor de combustão é a gasóleo.  Segundo o chefe de Desenvolvimento de Motores de Combustão Interna da Volkswagen, Sebastian Willmann, a “elevada estabilidade de armazenamento da Blue Gasoline torna-a particularmente adequada para os PHEV”.  Isto porque, acrescenta, “a expansão da infra-estrutura de carregamento e o recurso a baterias maiores, no futuro, vão permitir que esses veículos funcionem predominantemente em modo eléctrico e, portanto, o combustível pode permanecer no tanque por períodos mais longos.”

A Bosch salienta que esta nova gasolina azul, à semelhança do já acontecia com o gasóleo azul, não pretende ser uma alternativa à mobilidade eléctrica, mas sim completá-la. Além de reduzir as emissões de CO2 nos veículos ligeiros, estes combustíveis azuis fazem todo o sentido serem utilizados em navios, aviões e veículos pesados, onde o rumo para a electrificação não está claro, afirma a empresa alemã. Contudo, o consórcio não faz qualquer referência às emissões de poluentes graves para a saúde, como os óxidos de azoto (NOx) e as partículas, entre outros, que deverão continuar a ser elevadas nestes combustíveis com menor teor de carbono por recurso à biomassa e outras fontes renováveis.

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