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PS sem alvo nas costas mas Sócrates pode voltar

PS sem alvo nas costas mas Sócrates pode voltar

Figuras próximas do ex-governante e politólogo falam de eventual regresso se não for pronunciado e não acreditam em prejuízos eleitorais para os socialistas ou para a imagem de António Costa.

O mal está feito. Os danos são irreversíveis para os sistemas judicial e político, seja qual for a decisão anunciada hoje, consideram figuras próximas de José Sócrates, que condenam a morosidade do processo. Acreditam que o antigo primeiro-ministro não ficará parado se não for pronunciado, ficando a dúvida sobre que projeto assumirá. O politólogo André Freire crê existir essa vontade, mas diz que a carreira de Sócrates fica, em qualquer caso, "liquidada". Consenso parece haver sobre a ausência de prejuízos eleitorais, a curto prazo, para o PS e o seu líder.

Há muito que António Costa se distanciou do ex-chefe de Governo. No último dia de 2014, o secretário-geral do PS foi visitar o "amigo" à cadeia de Évora, mas um mês antes separou as águas. Numa SMS aos militantes, escreveu que "os sentimentos de solidariedade e amizade pessoais não devem confundir a ação política do PS".

Mais do que regresso, há mesmo quem fale em vingança. Quando Sócrates se desfiliou, em 2018, acusou a direção de "injustiça" e de se aliar "à Direita na tentativa de criminalizar uma governação". Regularmente, tem espalhado artigos na Imprensa, sem poupar Costa e o Governo.

O amigo Renato Sampaio disse ao JN acreditar que "se for inocentado ou os crimes não forem tão graves quanto dizem", será "muito difícil que José Sócrates fique quieto", tendo em conta "a sua personalidade". Ou seja, "vai haver aqui um problema para o PS", prevê. Quanto a eleições, acredita que o caso "não terá impacto" nas autárquicas, como "não teve em eleições anteriores".

Um longo "folhetim"

Para André Freire, "não há cenário bom" possível no que toca ao anúncio de hoje: "Os sistemas judicial e político não saem bem". Neste "folhetim", o pior é o tempo que isto demora", diz o politólogo. Apontando o dedo a todos os intervenientes, "com o Ministério Público à cabeça", vê um "sinal gritante de ineficácia e mau funcionamento do sistema judicial". No caso do PS, "o efeito pernicioso já ocorreu no passado". Isto a não ser que o processo levasse à conclusão de que o partido estava envolvido ou outros membros. De outro modo, "Costa já se descolou há muito".

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Sobre um regresso de Sócrates, o investigador admite que ele "tenha essa vontade, se não houver pronúncia", mas "a carreira política fica em qualquer caso liquidada". Este processo "fez estragos irreversíveis na sua carreira".

Freire chama a atenção para os efeitos das prisões preventivas e da mediatização, podendo parte da sociedade ter a convicção de que ele é culpado e inclusive de crimes mais graves. Ou seja, sintetiza, "já houve julgamento na praça pública".

Manuel Alegre, que também visitou o amigo na cadeia, ataca "a morosidade inaceitável da justiça". Considera que o desfecho será sempre mau. "Se Sócrates for a julgamento sem ser pelas acusações mais graves, isso "deixa mal a investigação e a Justiça". Se for pelas acusações mais pesadas, "vai afetar a confiança no sistema político".

Para João Cravinho, ex-ministro de Guterres, já se perdeu muito com este processo. A sua morosidade é uma "perversão da administração da Justiça, profundamente ofensiva dos direitos dos portugueses, incluindo os dos arguidos". Se Sócrates for pronunciado, diz que haverá sempre implicações políticas, tratando-se de um antigo primeiro-ministro. Se acontecer o contrário, haverá repercussões no eleitorado: "uma parte achará que está tudo feito". Também Cravinho considera que não haverá consequências eleitorais para o PS.

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