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U.Porto Santander Inspira-te com 270 voluntários quase prontos a ajudar

U.Porto Santander Inspira-te com 270 voluntários quase prontos a ajudar

As inscrições no curso de formação de voluntários e empreendedores sociais da U. Porto e Santander Universidades excederam as expectativas. A duas semanas do fim, coorganizador diz que o programa é ″inspirador″.

Está prestes a terminar a 1ª edição do U.Porto Santander Inspira-te, um programa de formação que pretende ensinar como bem gerir projetos sociais e a adotar comportamentos com impacto social, que nasceu da parceria entre aquela instituição de ensino e o Santander Universidades. Diogo Cruz, coorganizador do programa e seu orador, afirma que os objetivos pretendidos foram cumpridos e superados. O U.Porto Santander Inspira-te "foi e está a ser tremendamente inspirador", garante. No final, 270 voluntários e empreendedores sociais estarão prontos a fazer a diferença na sua comunidade.

"O Grande objetivo, quer da Universidade do Porto, quer do Santander, quer da colaboração da U.Dream, pela minha parte, neste projeto, era conseguir inspirar cada vez mais pessoas, em geral - desde jovens, até técnicos universitários, até professores, a qualquer pessoa, no fundo -, inspirá-las a ter mais impacto social nas suas comunidades", explica Diogo Cruz, que enquanto presidente executivo da U.Dream, projeto social de cariz educativo, têm experiência nesta área.

Esse impacto, garante o responsável, tanto pode ser alcançado por via do empreendedorismo social - lançando projetos de ação social para dar resposta a problemas locais -, como por via de simples ações do dia a dia que têm impacto na comunidade. "Seja, por exemplo, fazendo reciclagem, seja organizando um fim de semana em que vamos todos doar roupa que temos a mais a uma determinada instituição ou a pessoas que necessitam, na nossa comunidade", ilustra.

A duas semanas do final, uma das conclusões que se retira das 12 horas de formação, assíncrona e em simultâneo, que a U.Porto Santander Inspira-te está a proporcionar é que não é preciso criar um projeto de ação social para se ter impacto na comunidade onde se vive. E isto constitui, muitas vezes, surpresa, para os voluntários e empreendedores sociais em formação.

"Uma das formas mais bonitas e impactantes de gerar impacto social é começar por exemplo pela família, pela forma como nós, na nossa família, nas nossas relações, conseguimos aumentar a consciência para as diferentes problemáticas que existem", diz Diogo Cruz. Para o jovem empreendedor, "existe uma enorme falta de consciencialização para o que existe à nossa volta e uma dificuldade em olhar para o lado e saber que as pequenas ações podem, muitas vezes, ser transformadoras".

Mas "se mais de nós (cada um de nós) fizermos um bocadinho dessas coisas todos os dias, eu acho que a nossa comunidade vai daqui a uns anos ter como mindset geral que temos de cuidar uns dos outros e não vejo melhor impacto social transformador do que essa mentalidade", concluiu Diogo Cruz.

As vagas não chegaram

As estatísticas não mentem: Portugal tem das taxas de voluntariado mais baixas da União Europeia. Isso mesmo relembra Diogo Cruz ao salientar que as inscrições no U.Porto Santander Inspira-te excederam todas as expectativas.

"Nós tínhamos pensado, inicialmente, em cerca de 250 vagas. Trata-se de um programa em parte assíncrono, em parte feito em simultâneo, portanto, estávamos aqui com algum receio, numa fase inicial, mas sempre positivos. E a verdade é que, das 250 vagas inicialmente previstas, nós tivemos 856 candidatos e até tivemos de fazer um esforço para abrir mais vagas e conseguimos ainda exceder em 20 vagas. Portanto, no total, foram 270 vagas que conseguimos ter e trabalhar", contou.

Quanto à caracterização dos participantes no programa de formação, cuja grande maioria tem entre os 18 e os 29 anos e é do sexo feminino (ver gráficos), a surpresa já não foi tão grande.

"Não é uma novidade para nós. Nós na U.Dream trabalhamos também as competências de liderança social, de liderança comunitária em jovens e, portanto, sabemos perfeitamente as candidaturas que estamos habituados a ter", avança Diogo Cruz, explicando que a grande maioria dos interessados são mulheres, que depois acabam por inspirar colegas, amigos e membros da família de ambos os sexos.

"Numa fase inicial, parece-nos que - e estes dados comprovam isso - o sexo feminino está mais disponível para ajudar ou, pelo menos, para aprender a ajudar e a cuidar da nossa comunidade", disse.

Em termos de distribuição geográfica, quase metade dos 270 participantes é proveniente do Porto, que se assume como a grande campeão do voluntariado e empreendedorismo social, ficando logo atrás Lisboa, mas a grande distância. (Ver mapa).

Grande diversidade de conteúdos

Com uma formação online dinamizada através de uma plataforma educativa da Universidade do Porto e contando com a participação de diferentes interlocutores, os formando tiveram acesso a vídeos informativos e a masterclasses em direto que incluíram palestras, debates e entrevistas explorando temas como a inovação social, as diferentes ferramentas de gestão de projetos com impacto social, modelos de financiamento e o retrato do setor social em Portugal. E tudo isto transmitido através da partilha de conceitos, ferramentas, casos práticos e experiências de projetos no terreno, por parte de diversos oradores especialistas nas diferentes áreas.

"O programa tem uma grande diversidade de conteúdos, que vão desde uma questão mais teórica e técnica, mas também propicia muita informação sobre como é que eu posso criar um projeto social, como é que eu posso torná-lo sustentável, partilhas inspiradoras de pessoas que conseguiram fazê-lo - e onde elas partilharam não só os sucessos, mas muitas vezes (e isto é mais importante, até) os insucessos nesses projetos", diz Diogo Cruz.

Nas "aulas" dadas, diz o responsável, há motivação, mas também muito realismo. "Porque muitas vezes há um grande incentivo à criação de projetos sociais, mas não há uma leitura muito realista, e portanto as pessoas acabam por encontrar muitas desilusões ou constrangimentos de que não estavam à espera e acho que isso é um ponto que é muitas vezes reforçado no programa", explica o CEO da U.Dream, que partilhou a sua experiência pessoal.

Ao lado de Diogo Cruz, a dar estas "aulas especializadas", estiveram oradores convidados, como por exemplo António Bello, diretor executivo da Just a Change, uma organização que reabilita casas degradas de pessoas ou famílias com dificuldades financeiras.

Os dois jovens empreendedores sociais já andam envolvidos no voluntariado e na ação social desde os seus tempos de estudantes e ambos viram as instituições que dirigem conquistar um dos Prémios de Voluntariado Universitário do Santander Universidades: a Just a Change logo na sua 1ª edição, em 2016, e a U.Dream, sob a direção de Diogo Cruz, já por duas vezes, em 2017 e 2019.

Agora, para finalizar o U.Porto Santander Inspira-te, só faltam mesmo os workshops - dois dos quais a cargo de Diogo Cruz -, que constituem a vertente mais prática do programa, para aqueles que querem mesmo levar avante um projeto social. Dos 270 participantes, estão inscritos cerca de 70 inscritos - o imperativo de ter de assistir a estas oficinas práticas terá impedido grande parte dos restantes de se inscreverem -, mas os workshops serao gravados e ficarão ao dispor de todos.

"O programa termina com uma orientação muito prática: o empreendedorismo social não é a única forma de impacto social na nossa comunidade, há muitas outras", diz Diogo Cruz. "E a maior parte das vezes o verdadeiro impacto, a verdadeira transformação social, está dentro de cada um de nós", continua.

Aliás, esta ideia de que o empreendedorismo social não é a única forma de impacto e transformação social foi uma das mais reforçadas ao longo de todo o programa do U.Porto Santander Inspira-te. "Esta mentalidade tem vindo a ser totalmente coerente desde o primeiro dia, desde a primeira formação, e sê-lo-á certamente até à última", sublinha Diogo Cruz.

"E, assim, fazemos com que estas 270 pessoas que nos vão ouvir [nos workshops], de tantas idades diferentes e de cursos diferentes, vão ter a primeira oportunidade e talvez o primeiro incentivo para perceberem que o dia de amanhã é o principal e perfeito dia para se criar impacto social, independentemente de já terem criado ou não projetos sociais", conclui.

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