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Vladimiro está mesmo feliz?

Vladimiro está mesmo feliz?

O candidato do PSD à Câmara do Porto, Vladimiro Feliz, é uma escolha afetiva de Rui Rio.

Afetiva, mas não efetiva, porque, efetivamente, o presidente social-democrata só se lembrou do seu ex-vereador depois de ter colecionado uma série de "o Dr. desculpe, mas neste momento não me dá jeito". Paulo Rangel usou luva branca no exercício. Rio respondeu-lhe com luva de boxe. Entre os dois, as contas acertar-se-ão mais à frente.

Ser escolha de terceira ou quarta linha não é estigma, mas também não é grande cartão de visita. No caso, representa, sobretudo, a gritante incapacidade de Rio para levantar, no Porto, a fasquia ao nível da erguida em Lisboa. E isso deve querer dizer alguma coisa. Quer dizer, desde logo, que o lastro político deixado por Rio no Porto é basicamente nulo. Não é uma questão de ambição - é uma questão de galvanização, ou de falta dela.

E é por causa da falta de galvanização que Rui Rio está obrigado a expor-se no Porto durante a campanha para as autárquicas, a menos que queira arriscar um desastroso resultado, como o alcançado em 2017. Dois despistes seguidos na cidade que Rio governou durante 12 anos serão a prova provada de que a política centrípeta que o caracteriza faz mais mal do que bem.

Vir ao Porto para puxar por Vladimiro implicará sempre confrontar o passado com o presente. Vale o mesmo dizer: ter Rio a disparar sobre Moreira. O risco é óbvio: na troca de palavras, Vladimiro esfuma-se. O contrário não é muito melhor: dar todo o protagonismo a Vladimiro é, dada a sua escassa experiência política, expô-lo a riscos excessivos. A equação, como se vê, não é de fácil resolução.

Claro: Vladimiro pode revelar-se mestre na arte de manejar a política, o que seria ótimo para a campanha e para a cidade. Diz-se dele: é sério e trabalhador, conhece bem a cidade e gosta da inovação. É bom, mas não chega. Basta olhar para a apresentação da candidatura para torcer o nariz. Vladimiro disse querer "tirar o Porto da câmara lenta" e prometeu "fazer das tripas coração". Dois trocadilhos de gosto duvidoso suscitam o quê? Um sorriso amarelo? Convenhamos: é poucochinho. E, como arranque, não é muito feliz.

*Jornalista

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