www.publico.ptpublico.pt - 9 abr 05:45

Cartas ao director

Cartas ao director

Jorge Coelho, uma reflexão

Para mim e certamente para muitos a memória de Jorge Coelho ficará marcada principalmente por dois episódios. A demissão imediata após a tragédia de Entre-os-Rios e o recado do “quem se mete com o PS, leva!”. Por trás destas duas atitudes, aparentemente díspares de virtude, existiria uma coerência, a frontalidade. Com Jorge Coelho, sabia-se ao que ele vinha, com o positivo e o negativo, mas de forma assumida.

Ouvimos hoje os elogios fúnebres fraternos daqueles para quem um ministro não é responsável por nada (de negativo; para positivo já é mérito), daqueles para quem “no limite …” a coisa pode nem sequer ter acontecido, ou pelo menos numa forma que lhes seja imputável, para quem a hipocrisia é tão natural como a respiração. Esta diferença faz evidenciar a degradação da qualidade humana dos actuais, digamos, responsáveis.

Carlos J F Sampaio, Esposende

Portugal e PS perdem um grande político

A morte de Jorge Coelho causou profunda consternação no país, não por ter sido súbita e inesperada, mas, sobretudo, por se tratar de um grande político do PS, que deu um exemplo notável a muitos dos seus pares, agarrados ao poder, demitindo-se de ministro aquando da queda da ponte de Entre-os-Rios.
O PS sem ele era difícil de imaginar. Foi, durante muitos anos, o chamado homem da máquina, braço-direito de António Guterres, de quem seria, entre outros cargos governamentais, ministro-adjunto.

A Jorge Coelho é atribuída a paternidade de uma frase, que ficou célebre: “quem se mete com o PS, leva!” Entrevistei-o uma vez e ainda me recordo do título que pus na entrevista - “O PCP não tem lepra”. Dir-se-á que Jorge Coelho, com a sua visão premonitória, estava a pressagiar o entendimento futuro entre socialistas e comunistas na “geringonça” e ainda hoje. Grande socialista, com profundas convicções, deixava a sua marca, ultimamente, em intervenções televisivas, nas quais defendia com firmeza os seus pontos de vista. Não cremos que a sua ligação à Mota-Engil possa beliscar, sequer, a sua brilhante carreira política, toda ela alicerçada em muitos desempenhos, alguns deles mesmo notáveis. Portugal e o PS ficam a dever-lhe muito. A melhor homenagem que lhe posso prestar é afirmar, sem pejo nem rebuço, que hoje já não há políticos como Jorge Coelho. Marcou uma época e também uma geração. Depois de ter perdido o grande Mário Soares, o PS fica agora sem Jorge Coelho. Duas perdas, sem dúvida, irreparáveis. Há pessoas mesmo insubstituíveis!

Simões Ilharco, Lisboa

A independência dos procuradores

“Directiva da PGR viola a lei, diz ex-presidente do Constitucional” (PÚBLICO de 7 de Abril). Não sendo jurista, não sei se viola a lei. Como cidadão, não tenho dúvida de que viola o bom senso. Os procuradores, como os juízes, ou são independentes ou não são. Essa independência é como a gravidez, não é possível serem 99% independentes. E não só essa independência deve ser absoluta, como também deve ser vista como tal.

A procuradora-geral da República, com a sua directiva de submeter os procuradores a ordens concretas dos seus superiores hierárquicos, prestou um mau serviço àquele órgão de soberania que é a Procuradoria-Geral da República e ao país em geral, pois é óbvio que a vingar aquela directiva o superior hierárquico último dos procuradores seria sempre o Governo.

Ronald Silley, Canadá

Marcelo no Minho

O anúncio de que o Presidente da República prevê realizar um roteiro no Minho deixou-me perplexo. Tenho 85 anos. Estou confinado há mais de um ano, cumprindo rigorosamente as indicações sanitárias. Embora dependa essa visita das condições epidemiológicas, conhecemos bem a índole dos portugueses. Só o anúncio, realize-se ou não o roteiro, estará já a mobilizar as estruturas costumeiras destas visitas. O interesse que a visita desperta, o sonho dos beijinhos, das selfies, irão propiciar ajuntamentos contrariando o recomendado pela Direcção-Geral da Saúde. A transmissão do vírus ficará mais facilitada, contra o que Marcelo Rebelo de Sousa se tem batido. Recomendaria ao Presidente que se acalme. A epidemia não acabou. Colabore também, Mantenha-se em casa ou no palácio. Nas horas vagas mate o vício da leitura, como eu. 

António Santos, S. Domingos de Rana

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