observador.ptobservador.pt - 9 abr 00:36

Moçambique. União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa apela a responsáveis da comunidade internacional a pedir soluções

Moçambique. União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa apela a responsáveis da comunidade internacional a pedir soluções

Uma das decisões tomadas pelos representantes associados da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa foi escrever a altos representantes da com...

A União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) vai escrever a altos representantes da comunidade internacional, que falam português, pedindo ações conjuntas para solucionar o problema de violência no norte de Moçambique.

Esta foi uma das decisões tomadas pelos representantes de cerca de 40 das 56 cidades associadas da UCCLA de África, América Latina, Ásia e Europa, que participaram numa reunião por videoconferência para debater a situação humanitária e de violência em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, explicou à Lusa Vitor Ramalho, secretário-geral da organização.

Os associados aprovaram uma proposta que mandatou a UCCLA para dirigir cartas, em nome das cidades que representa, ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e primeiro-ministro, António Costa, como responsáveis do país que, no primeiro semestre de 2021, preside à União Europeia (UE).

O diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), António Vitorino, e o secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Francisco Ribeiro Telles, também são outros dos destinatários da missiva.

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A todos, que ocupam altos cargos em organizações internacionais, a UCCLA vai apelar à articulação de “ações conducentes às respostas que a situação de Cabo Delgado impõe no plano internacional, que incluem saúde, alimentação, água e saneamento nos centros de acomodação e de trânsito dos deslocados internos, reassentamento e apoio psicossocial, infraestruturas e reconstrução do tecido económico”, de acordo com o texto final a que a Lusa teve acesso.

Além disso, e dado que no quadro mundial atual em que a humanidade vive, “há ainda o flagelo da pandemia de covid-19”, a UCCLA irá também escrever a Durão Barroso, antigo primeiro-ministro português e antigo presidente da Comissão Europeia, e que atualmente preside à Aliança Global para as Vacinas, para “também tudo fazer para uma resposta ainda mais eficaz da Covax (consórcio) à vacinação da população daquela região”.

Além destes, a organização irá dirigir cartas também aos altos representantes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), da União Africana e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).

A decisão aqui tomada pelos associados da UCCLA pode e deve ser usada para situações como esta ou outras, de calamidade, que aconteçam em outros países de língua portuguesa”, defendeu Vitor Ramalho.

Os associados da UCCLA condenaram, “de forma muito veemente, os ataques que grupos terroristas vêm perpetrando na região de Cabo Delgado, em Moçambique, vitimando inocentes independentemente do género, idade, etnia e opção religiosa, semeando a morte” e provocando “um número muito significativo de refugiados“, solidarizando-se “com o povo de Moçambique e as instituições públicas do país” na sua luta contra a violência.

Por outro lado, a organização realçou “a enorme importância que, na denúncia e combate ao terrorismo que ocorre em Cabo Delgado, assume o reforço da consciencialização da opinião pública mundial e o papel que para esse objetivo têm as cidades em geral e, em particular, as associadas na UCCLA, cujos municípios exprimem o sentimento de dor e da revolta na mesma língua, o português”.

Assim, a UCCLA também vai “elaborar um pequeno vídeo, para ser amplamente divulgado nas redes sociais, através das plataformas das cidades associadas”.

O filme transmitirá uma mensagem de “vigorosa condenação do terrorismo que flagela Cabo Delgado“, contribuindo “para reforçar a sensibilização da opinião pública” para a necessidade de apoios às famílias das vítimas enlutadas e aos refugiados.

O texto indica que o recente ataque à vila moçambicana de Palma foi preparado “com a intenção clara de ter repercussão internacional, ao atingir, não só cidadãos moçambicanos, mas também de envolver outras nacionalidades que trabalham no centro logístico de Afungi, de uma multinacional que aí tem instalações logísticas”.

Os terroristas, por o serem, alvejam vítimas inocentes, independentemente da condição de género, de idade, de origem étnica ou geográfica e de opção religiosa”, frisou o texto, acrescentando que, assim, trata-se de uma agressão “contra Moçambique e contra toda a Humanidade”.

Para a UCCLA é urgente “pôr termo à barbárie” e as cidades, não tendo nem exercendo funções soberanas, como os Estados, “têm um importante papel de sensibilização da opinião pública na firme condenação do terrorismo e da adoção de medidas de apoio humanitário”.

A violência desencadeada há mais de três anos na província de Cabo Delgado ganhou uma nova escalada há cerca de duas semanas, quando grupos armados atacaram pela primeira vez a vila de Palma, a cerca de seis quilómetros dos multimilionários projetos de gás natural.

Os ataques provocaram dezenas de mortos e obrigaram à fuga de milhares de residentes de Palma, agravando uma crise humanitária que atinge cerca de 700 mil pessoas na província, desde o início do conflito, de acordo com dados das Nações Unidas.

O movimento terrorista Estado Islâmico reivindicou na semana passada o controlo da vila de Palma, junto à fronteira com a Tanzânia, mas as Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas reassumiram completamente o controlo da vila, anunciou na segunda-feira o porta-voz do Teatro Operacional Norte, Chongo Vidigal, informação reiterada na quarta-feira pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

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