www.vidaeconomica.ptvidaeconomica.pt - 8 abr 21:12

A água e o agroalimentar

A água e o agroalimentar

Na semana passada, um extenso artigo num jornal económico titulava: “Agroalimentar provou ser um pilar da economia”. Especialistas ouvidos pelo jornal chegavam a esta conclusão com base em duas premissas: tecnologia e inovação. Cito o referido artigo: “Graças à tecnologia o setor mostrou-se resiliente aos impactos da pandemia, tendo registado um aumento de 2,5% nas exportações em 2020” - dados do INE.
Mas há ainda mais números para agitar: as exportações de pequenos frutos subiram 5,5% e as exportações de bens e serviços caíram 10,2%.
Aqui chegados, pergunto: o agroalimentar tem capacidade para fazer melhor?
Sim, tem. Os “players” do agroalimentar estão preparados para nos próximos 10 anos contribuírem decisivamente para um superavit na balança alimentar nacional, para produzirem mais para consumo interno, substituindo importações de forma competitiva, e incrementarem as exportações – o défice alimentar é de 4000 MJ e não há plano governativo para alterar esta situação.
Em 2011, quando a crise devastou a nossa economia e a “troika” nos ensinou a governar, foram jovens empreendedores agrícolas com projetos inovadores e de alta tecnologia que deram a volta à sua vida e transformaram a nossa agricultura. A partir daí temos uma agricultura de ponta e nada ficou igual.
Apesar de alguns comentadores, habituados às alcatifas do poder de Lisboa ainda digerirem mal o sucesso agrícola, as atividades agrícolas de regadio são as mais sustentáveis e competitivas a nível económico, social e ambiental.
Desde há muito tempo que os jovens agricultores e empreendedores agrícolas têm feito o seu trabalho para tornar a nossa agricultura um pilar insubstituível da nossa economia.
É preciso que o Governo faça o seu trabalho para eliminar os estrangulamentos estruturais nas agriculturas de Portugal ao nível do regadio público e privado. Em Portugal, as políticas da água necessitam ainda da resolução dos problemas de captação, distribuição e gestão, bem como de uma estratégia articulada com as outras políticas públicas do ordenamento e planeamento territorial/cultural, do consumo urbano e da conservação da natureza.
Mas nesse encadeamento de diferentes elementos com vista ao eficaz funcionamento do sistema é preciso começar por aplicar o que de melhor se faz no estado da arte mundial sobre o uso sustentável da água, começando por Israel.
Todos temos de contribuir para formar uma opinião pública informada que exija de imediato uma melhor definição pelo Governo da política da água em Portugal e dos respetivos recursos financeiros para a aplicar.
Não é aceitável, quando dois terços do território continental têm insuficiência de água, sobretudo nas regiões economicamente deprimidas do Interior, que o Governo inicie o processo de gestão da água pelo Algarve, assim como parte do Alentejo, e esqueça os restantes territórios. Segundo a ONU, a água é o pilar principal do desenvolvimento sustentável. Um país assimétrico nunca será um país coeso e sustentável!
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