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Jason Silva. ″Avançámos tão rápido que os nossos cérebros têm dificuldade em acompanhar″

Jason Silva. ″Avançámos tão rápido que os nossos cérebros têm dificuldade em acompanhar″

No 22º episódio do podcast Made in Tech conversamos com o futurista, filósofo e contador de história venezuelo-americano Jason Silva, conhecido pelos programas documentais do National Geographic.

Chama-se Jason Silva, tem 39 anos e nasceu na Venezuela mas é nos Estados Unidos onde tem feito carreira como futurista, filósofo, realizador e apresentador de programas da National Geographic como Origens e Brain Games.

O seu objetivo principal é entusiasmar as pessoas em torno da filosofia, ciência e tecnologia e é visto como o Timothy Leary (psicólogo, neurocientista e ícone dos anos 1960) dos vídeos virais, já que brilha nas redes sociais - do YouTube, ao Facebook e Instagram -, mas também dá palestras por todo o mundo, incluindo para a NASA e a Google.

Um verdadeiro contador de histórias desde que se conhece, que adora aliar criatividade, espiritualidade, tecnologia e humanidade. Falamos com ele sobre os efeitos da tecnologia no comportamento humano, sobre o potencial de seres sintéticos, como o storytelling na ciência faz a diferença e o potencial da psicoterapia e o uso de psicadélicos para expandir a mente em algumas circunstâncias.

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Aceda a todos os episódios do Made in Tech (sobre criptomoedas; exploração espacial; guerra Austrália-Facebook com entrevista ao pai do código australiano; Clubhouse; ciência na pandemia; impostos digitais com Margrethe Vestager; ensino à distância): dinheirovivo.pt/podcast/made-in-tech

Destaques da conversa

Numa época de muitas distrações graças à tecnologia, Jason admite que adora passar tempo na natureza para ter uma perspetiva mais clara e afastada do mundo digital, sem distrações.

"A minha visão é que a natureza pode-nos dar um espaço de acalmia e quietude interior interessante, sem distrações e entro mais facilmente num estado meditativo e por onde as ideias fluem mais facilmente", diz. Ainda assim mas não costuma prescindir do seu smartphone e a coluna e as ferramentas para usufruir de forma mais completa da natureza. "Para mim tudo isto faz parte de encontrar uma simbiose entre natureza e cultura e tecnologia".

A importância de pensadores e filósofos modernos na atualidade é crucial já que a sociedade está a mudar como não mudou em muitas décadas graças à era digital.

Jason interessa-se mais pela filosofia da área de fenomenologia e pelo foco nas mudanças pela experiência humana - "mapear as nossas experiências interiores e a nossa vida interior e perceber como isso é impactado pelo exterior".

[A fenomenologia surge na filosofia como ciência sobre a experiência que a consciência tem do mundo, a relação entre a consciência do saber humano e o mundo exterior a ela. O objetivo é investigar e descrever os fenómenos enquanto experiência consciente. O intuito é desnudar "o mistério do mundo e o mistério da razão", como afirmou Merleau-Ponty, no prefácio da Fenomenologia da Percepção.]

"Vivemos numa era de mudança exponencial - coisas como a Lei de Moore, que governa a velocidade do progresso da tecnologia está a ser ultrapassada e precisamos mais do que nunca de lidar com as implicações desta disrupção". Cita ainda o biólogo e naturalista Edward O. Wilson:

"Avançámos tão rápido tecnologicamente que os nossos cérebros têm dificuldades em acompanhar e temos de encontrar formas de lidar com os assuntos criados pela mudança tecnológica e social e encontrar formas de nos reconciliarmos, ajustarmos e adaptarmos. Tudo coisas que aconteciam num maior período de tempo antes, mas agora o comboio saiu da estação no que diz respeito a mudanças tecnológicas".

O ser humano "já é aumentado, uma espécie ciborgue". Daí que Jason Silva explica que as "distrações em excesso da era digital ainda são um problema complicado de gerir". "Estamos a aprender".

Já sobre o flop dos Google Glass há uns anos e o regresso em força em 2021 dos óculos de realidade aumentada: "Precisamos que este tipo de tecnologia aumente a nossa capacidade mas não convolua - não nos enrole ou distraia, seja só um aumento".

"O smartphone, bem usado, faz isso também, expande as nossas capacidades, mas temos de ser conscientes com esse poder, porque o telefone tem muitas funções e podemos-nos perder se não orientarmos o nosso foco e formos conscientes no uso - as notificações excessivas são um problema porque competem pela nossa atenção.
De certa forma não é muito diferente de colocarmos comida para alimentar os nossos corpos, se comermos demais ou certas coisas em excesso vamos ficar obesos e há um grande grau de responsabilidade pessoal que serve para determinar as melhores práticas, para usar a ferramenta de forma a nos melhorar sem distrair.

Facebook, redes sociais e divisão na sociedade

"É parecido com um Casino, tudo o que nos dá dopamina ou suscita uma reação em nós é incentivado pelos algoritmos".

"Tudo o que confirma os nossos preconceitos ou nos enraivece de alguma forma pode ser tornado arma contra nós, para criar uma espécie de bolha com filtros e que, basicamente, nos fecha numa espécie de realidade virtual alternativa e começa a separar-se do mainstream (do que é visto como normal pela maioria). Daí nos alimentar com extremismo e pensamentos conspirativos, estas são as consequências inadvertidas das redes sociais, mas são também as consequências inadvertidas de toda a tecnologia. Quando temos um prego tudo parece um prego ou quando temos uma arma na mão vamos ser mais incentivados em fazer mal e tudo parece ser um alvo e as nossas hipóteses mudam. O desenho serve como agente.

"Devemos ter uma abordagem mais holística e responsável face à tecnologia".

"Televisão tradicional tem os seus limites demasiado formatados e a internet tem muita mais liberdade, tal como a possibilidade de criar conteúdos pelo iPhone. O meu estilo evoluiu com estas ferramentas."

Fala-se ainda do cérebro humano e a sua evolução para o futuro com ajuda tecnológica, exploração espacial, seres sintéticos ao estilo Star Trek e se estamos sozinhos no universo.

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