visao.sapo.ptluisdelgado - 8 abr 21:39

Visão | Duas grandes notícias que não são nossas

Visão | Duas grandes notícias que não são nossas

Se Berlim encontrou o buraco na agulha, para se livrar de uma compra conjunta desastrosa, qual é a nossa dificuldade? Esta tem de ser uma decisão urgente do Governo, da ministra da Saúde, do Infarmed e da DGS.
  1. O ministro da Saúde da Alemanha confirmou que estão a negociar a compra das vacinas russas Sputnik V, fora do mecanismo conjunto europeu. Finalmente uma grande notícia, uma decisão racional, e uma opção inadiável. A Alemanha justifica, e muito bem, que esta vacina não está no pacote europeu, nem vai estar, e por isso o Governo alemão, depois do regulador nacional autorizar, investe nos milhões de doses que precisa, com toda a urgência, para salvar as pessoas e o país. Logo a seguir virá a França, e dado este passo fundamental estará aberta essa possibilidade, não só em relação à Sputnik, como a outras em fase final de aprovação. E nós? Vamos ficar quietinhos? Caladinhos? Poupadinhos? O pior que nos poderia acontecer, com 5 por cento de vacinados, e com as restrições da Astra, que só vai ser dada a maiores de 60 anos (são os dispensáveis?) era não sermos soberanos, determinados e rápidos a encomendar e comprar a vacina russa, e outras. E já agora só mais um pormenor, que é decisivo: a vacina russa é uma cópia, ou fotocópia, ou uma «fotografia», obtida sabe-se lá como, nem interessa, das outras duas. É tão segura e eficaz como a da Pfizer ou da Moderna, que são os pais inesperados da Sputnik.
  2. A outra grande notícia vem da Grã-Bretanha e deve-se à determinação, esforço e estratégia vencedora de um primeiro-ministro pragmático, Boris Johnson (inicialmente dado como incapaz de assumir esse cargo) e de um Governo coeso e empenhado: na segunda-feira, dia 12, os britânicos entram em imunidade de grupo. Em 3 meses e uns dias, a Grã-Bretanha imunizou população suficiente para normalizar a vida do país, e com isso tentar recuperar, o mais rapidamente possível, da profunda crise social, económica e financeira em que se encontra. É obra. E permite uma óbvia conclusão: o Brexit ajudou o PM a tomar decisões imediatas, gastar o que fosse necessário, e investir e acompanhar a evolução de todas as vacinas. Se ainda fosse o 28º Estado da União estaria, por esta altura, com os «fabulosos» 5 por cento de vacinados. Será que isto ajuda o nosso Governo a seguir o caminho da Alemanha?

Nota especial: Jorge Coelho faz falta. Não há muitos como ele. Extraordinariamente pragmático, hiper focado no que fazia, e sempre disponível para ouvir e tentar ajudar. Guterres deve-lhe o facto de ter sido primeiro-ministro, e bom.

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