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30 100 famílias sobreendividadas já tiveram de pedir ajuda

30 100 famílias sobreendividadas já tiveram de pedir ajuda

Foram mais 946 as famílias a socorrer-se da Deco em 2020. A quebra de rendimentos e o desemprego foram as principais causas para os pedidos de auxílio.

O número só não é maior porque as famílias mais vulneráveis não têm acesso a computador nem a Internet ou mesmo a telefone. Senão, seriam bem mais de 30 100 os pedidos de ajuda que a Deco teria recebido por parte de famílias sobreendividadas em 2020. A conclusão é de Natália Nunes, coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira (GPF) da Deco, que presta apoio a sobreendividados. Com o serviço de atendimento presencial encerrado devido às medidas impostas pelo Governo no âmbito da pandemia do novo coronavírus, só as famílias com acesso a meios digitais ou telefone conseguiram pedir ajuda à Deco em 2020. No total, foram mais 946 as famílias sobreendividadas que o fizeram ao longo do ano passado, comparando com 2019. Mas, além da subida, as causas das dificuldades foram o principal destaque e mudaram em 2020 face ao ano anterior. Segundo a Deco, 31% dos pedidos de ajuda em 2020 tiveram como principal causa para as dificuldades financeiras das famílias a quebra de rendimento ou a deterioração das condições laborais. Seguiu-se, com uma percentagem de 24%, o desemprego.

Portugal tem seguido a estratégia adotada em outros países europeus de confinar a população e encerrar estabelecimentos comerciais e negócios nos picos de casos diagnosticados. A disrupção e os danos económicos e sociais ditaram o empobrecimento de mais famílias.

Apesar do aumento do número de pedidos de ajuda, registou-se uma quebra ligeira nos casos que exigiram intervenção por parte do GPF da Deco. No total, necessitaram de intervenção da Deco 2747 pedidos de ajuda, menos 40 do que em 2019. Para Natália Nunes, a principal causa para esta ligeira queda prende-se com o facto de as famílias terem tido a possibilidade de recorrer a soluções inéditas em 2020, como as moratórias no crédito à habitação e consumo. "Nós demos orientações a muitas famílias que depois conseguiram pô-las em prática e já não foi precisa a nossa intervenção direta", disse a coordenadora do GPF da Deco.

A reestruturação de créditos representou 51% dos pedidos de aconselhamento que chegaram ao GPF. Em segundo lugar surgiram as medidas covid - como moratórias ou apoio a rendas, entre outras -, com um peso de 16%.

O fim de algumas moratórias no crédito ao consumo, em setembro de 2020, acelerou o número de pedidos de ajuda que chegaram à Deco, segundo os dados do GPF.

Em média, as famílias sobreendividadas envolvem casais, empregados no setor privado, com o agregado familiar a ser composto por três elementos. As famílias que pediram ajuda tinham em média um rendimento mensal de 1090 euros, o que compara com 1200 euros em 2019. No rendimento total, 850 euros eram dirigidos para o pagamento de créditos. A taxa de esforço aumentou em 2020 para 79% do rendimento, face a 76% um ano antes. Em média, 37% já estavam em situação de incumprimento. No total, em média, as famílias sobrendividadas devem 82 500 em crédito à habitação, 22 000 euros em crédito pessoal e 7200 euros relativos a cartões de crédito.

Em 2021, o GPF da Deco continua a receber novos pedidos de sobreendividados. Portugal entrou num novo confinamento forçado da população em janeiro, o que atirou mais portugueses para o desemprego ou para o regime de lay-off (suspensão do contrato de trabalho), com a consequente quebra no rendimento dos agregados familiares. "Continuamos a registar novos pedidos de ajuda. Aquilo que nós estamos a verificar é uma diminuição do rendimento. Se já verificámos em 2020, continuamos a verificá-lo no início deste ano", afirmou Natália Nunes. Acrescentou que esta tendência é agravada pelo facto de, enquanto "durante 2020 as famílias foram tendo alguns balões de oxigénio, que foram as moratórias provadas e a moratória pública", mas esses balões "foram esvaziados" e há alguns consumidores confrontados com o fim das moratórias. A grande preocupação é agora com o fim do prazo da moratória pública que termina no final de setembro deste ano.

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