observador.ptObservador - 24 fev 00:02

Desconfinamento por etapas

Desconfinamento por etapas

Estão ainda internados mais de seiscentos doentes nos cuidados intensivos. Seria um erro político, a antecipação descoordenada do confinamento, que le...

Temos verificado, que de há uns dias para cá, os números de casos e mortes por Covid-19 reduziram substancialmente.

Estes resultados são fruto das medidas tomadas pelo Governo depois de Portugal ter sido o pior país do mundo do ponto de vista de novos casos diários e mortes por 100 mil habitantes. Infelizmente, tivemos de chegar a este ponto para que as pessoas que estão à frente das decisões e da estratégia de ação no combate à pandemia, tivessem tido um rasgo de luz e atuassem em conformidade com a realidade atual.

Porém, não nos podemos concentrar apenas em números de novos casos diários e na redução significativa da mortalidade. Estão ainda internados mais de seiscentos doentes nos cuidados intensivos!

Seria um erro político, a antecipação descoordenada do confinamento, que levaria ao ressurgimento de novos casos diários.

Face ao descalabro social e económico que atualmente vivemos, qualquer gesto inteligente vindo de quem nos governa, seria sempre uma boa notícia.

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O desconfinamento por etapas implicaria um total conhecimento do terreno, nomeadamente o número de casos, faixa etária predominante, quantas pessoas já tinham sido vacinadas e o tipo da variante mais frequente naquele local. Para que a planificação tenha sucesso é necessário programar cada etapa com inteligência e coragem.

Pairou no ar a possibilidade de um regresso às aulas de uma forma progressiva. Em relação a esta possibilidade, é pressuposto que retornem às aulas, inicialmente, os alunos do primeiro ciclo; numa segunda fase, os do segundo ciclo; depois os do terceiro ciclo; e, finalmente, os estudantes universitários. O número total de alunos atinge cerca de dois milhões. Em alguns países, o regresso às aulas presenciais de cada ciclo não foi feito de forma total de imediato, sendo-o progressivamente: primeiro apenas 25% depois 50%, 75% e, por fim, a totalidade dos alunos. No que se refere aos outros ciclos e aos estudantes universitários, o retorno também se verificou por etapas.

As novas variantes, nomeadamente a britânica, responsável por 50% dos novos casos em Portugal, afeta predominante os jovens e o regresso às escolas, sem estarem vacinados, implicaria um maior cuidado e a obrigatoriedade da realização de testes rápidos antes de entrarem nos estabelecimentos de ensino.

Em relação a outras profissões, quanto maior o número de pessoas que trabalham em cada sector, maior a necessidade de cumprir com rigor as medidas sanitárias. Poderá ser aplicada a mesma fórmula de regresso, por fases, aos trabalhadores, visando, assim, reduzir a possibilidade de aumentar o contágio.

O intervalo do regresso entre as várias fases dependerá muito do ressurgir de mais casos de Covid-19 entre a comunidade, bem como da entrega e quantidade de vacinas aplicadas. Mesmo depois de a população portuguesa estar ela quase toda vacinada, não é aconselhável deixarmos de tomar as devidas precauções, cumprindo as medidas sanitárias com o máximo de rigor possível. Não sabemos o tempo real que vai durar o nosso estado imunológico anti-Covid-19. Este varia muito de pessoa para pessoa e é mais um motivo para continuarmos a apostar nas medidas sanitárias!

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